O Novo Calvinismo

A revista Time, em sua edição eletrônica, listou as 10 influências mais importantes no mundo na atualidade. O chamado novo calvinismo é listado em terceiro lugar [Link]. Abaixo, o texto traduzido na íntegra, pelo pastor F. Wellington Ferreira, membro da Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos.

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O Novo Calvinismo

Se você quer realmente seguir o desenvolvimento do cristianismo conservador, rastreie as suas músicas de sucesso. No início do século xx, você ouviria “Rude Cruz”, uma celebração da expiação. Nos anos 1980, você teria compartilhado a intimidade do tipo “Jesus é meu amigo”, expressada na canção “Brilha, Jesus”. Hoje, as músicas de sucesso retratam cada vez mais um Deus que é muito grande, enquanto nós… bem, ouça a banda de David Crowder: “Estou cheio de terra/ Tu és o tesouro do céu/ Estou sujo de lama/ Inclinado à depravação”.

O calvinismo está de volta, e não apenas no âmbito da música. A resposta de João Calvino, no século xvi, aos excessos do catolicismo na forma de “compre o seu livramento do purgatório” é a mais recente história de sucesso do evangelicalismo [americano], uma história completa: com uma Deidade totalmente soberana que administra as coisas mínimas, uma humanidade pecaminosa e incapaz e, a combinação da conseqüência lógica, a predestinação: a crença de que, antes de o tempo surgir, Deus resolveu a quem salvaria (ou não), sem influenciar-se por qualquer ação ou decisão humana subseqüente.

O calvinismo, primo de outro pilar da Reforma, o luteranismo, é bem menos rígido do que os seus críticos afirmam. O calvinismo oferece uma Deidade firme que orquestra absolutamente tudo, incluindo a enfermidade (ou o arresto da casa!), por meio de uma lógica que talvez não entendamos, mas não temos de criticar depois que vemos os resultados. Nossa satisfação — e nosso propósito — se realiza apenas ao glorificá-Lo. No século xviii, o pregador puritano Jonathan Edwards revestiu o calvinismo de um misticismo quase extasiante. Mas logo o calvinismo foi vencido nos Estados Unidos por movimentos como o metodismo, que eram mais impressionados com a vontade humana. Grupos liberais descendentes dos calvinistas, como a Igreja Presbiteriana (EUA) [PCUSA], descobriram outra ênfase, enquanto o evangelicalismo perdia o interesse por uma doutrina consistente (havia o triunfo daquele Jesus amável e impreciso) e parecia relegar a pregação reformada fiel (a palavra reformado é um sinônimo de calvinista) a algumas poucas igrejas persistentes do sul [dos EUA].

Isso não acontece mais. Os ministros e autores neo-calvinistas não agem numa escala como Rick Warren. Contudo, ouça Ted Olsen, editor-chefe da revista Cristianity Today: “Todos sabem onde estão a energia e a paixão no mundo evangélico” — com o neo-calvinista pioneiro John Piper, de Minneapolis, com Mark Discroll, o brigão de Seattle, e Albert Mohler, presidente do Southern [Theological Baptist] Seminary, da grande Convenção Batista do Sul [dos EUA]. A Bíblia de Estudo ESV, com sabor calvinista, esgotou a sua primeira tiragem; blogs reformados como Between Two Worlds estão entre os links mais populares do ciberespaço cristão.

À semelhança dos calvinistas, os evangélicos mais moderados estão explorando curas para o desvio doutrinário do movimento, mas não podem oferecer a mesma segurança coletiva. “Muitos jovens cresceram em cultura de destruição, divórcio, drogas e tentação sexual”, disse Collin Hansen, autor de Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey with the New Calvinists. “Eles têm muitos amigos; o que precisam é de um Deus.” Mohler disse: “No momento em que alguém começa a definir o ser ou os atos de Deus biblicamente, essa pessoa é levada a conclusões que são tradicionalmente classificadas como calvinistas”. De fato, essa presunção de inevitabilidade tem atraído acusações de arrogância e divisionismo desde a época de Calvino. Na verdade, alguns dos entusiastas de hoje sugerem que os não-calvinistas podem não ser cristãos. Pequenas disputas entre os batistas do sul [dos EUA] (que têm um grupamento concorrente de não-calvinistas) e trocas de ameaças on-line são um mau presságio.

Em julho próximo, se dará o 500º aniversário de nascimento de Calvino. Será interessante observar se o último legado de Calvino será a difamação protestante clássica ou se, durante estes tempos difíceis, mais cristãos que buscam segurança sujeitarão a sua vontade ao Deus severamente exigente dos primórdios de seu país.

65 Comentários para “O Novo Calvinismo”

  1. Franklin Ferreira 20 Março 2009 às 9:18 #

    Só um detalhe, pessoal: ainda que este texto tenha alguns problemas conceituais e use de alguma ironia com a fé reformada, traduzimos e postamos o mesmo aqui para seu valor de registro.

    E para os que lêem inglês, recomendo o ótimo livro de Colin Hansen, Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey with the New Calvinists. O prólogo e o primeiro capítulo podem ser lidos aqui: http://www.monergismbooks.com/pdfs/youngrestless.pdf

    É um trabalho jornalistico muito legal, que mostra a pujança do calvinismo em círculos americanos, e especialmente entre jovens.

  2. jean 20 Março 2009 às 9:19 #

    Olá Franklin, legal saber que o Calvinismo continua em voga, até mesmo em artigos de jornal.
    Minha pergunta é: Como eu defino um neo-Calvinista? Que foi o caso de um pregador que eu gosto muito, John Piper.
    Abç
    Jean

  3. Franklin Ferreira 20 Março 2009 às 9:20 #

    Oi, Jean,

    Então… o texto do jornal tem uns erros conceituais. Neo-calvinismo é, propriamente falando, o movimento de renovação da fé reformada surgido na Holanda, em meados de 1910, e associado a Abraham Kuyper, Dooyeweerd, Bavinck e outros, com seu interesse amplo pela relação da fé com as questões filosóficas, sociais, jurídicas, econômicas, políticas, etc. Neste sentido, o ‘neo-calvinismo’ que trata a revista não é uma nova corrente do calvinismo, mas, me parece, a renovação do antigo calvinismo que tanta influência exerceu sobre os EUA.

    Abs
    Franklin

  4. Diego 20 Março 2009 às 9:21 #

    Olá, Pr. Franklin.

    O reavivamento do pensamento calvinista já é sensível no Brasil. Espero que se fortaleça o suficiente para fazer frente a esses dias de apostasia.

    Gostaria de lhe enviar um e-mail sobre um congresso que realizaremos esse ano. Porém, ainda não encontrei seu e-mail. Onde o encontro?

    Abraços.

    Diego.

  5. jean 20 Março 2009 às 9:21 #

    Oi Franklin!
    Então cara, fiquei meio confuso, mas agora entendi. Porque até aonde sabia o Piper era fiel a doutrina Calvinista. Mas ta certo obrigado pela resposta.
    Olhei no dicionário da vida nova o termo dízimo lá, achei bem legal, que até mesmo outros povos tinham este costume como os Babilônios.
    Abrao cara
    Deus abençõe
    Jean

  6. Juan de Paula 20 Março 2009 às 9:22 #

    O termo “neo-calvinismo” na mente do réporter e/ou do editor do texto provavelmente se refere ao reavivalismo e revitalização do calvinismo nos EUA através de John Piper e os demais expoentes citados.

    Esse reavivamento , pelo que entendi na mente do jornalista, se refere a visibilidade do calvinismo na América , por ex. a Mars Hill Church em Seatlle – igreja que Mark Driscoll serve foi eleita a 7a mais influente ficando na maior colocação dentre as classificadas reformadas.

    Para um recorte do pensamento de John Piper segue uma postagem em meu blog: http://juandepaula.blogspot.com/2008/08/124-glorificando-deus-atravs-do-seu.html

    Nesta postagem esqueci de salientar a crença de Piper inclusive na predestinação dupla (eleição e reprovação).

  7. Jorge Fernandes 20 Março 2009 às 9:23 #

    Franklin,
    Até que ponto a “onda” calvinista será um novo modismo, como tantos outros no meio evangélico?
    É que, quando a grande mídia noticia um “revival” do calvinismo, não podemos esquecer de que sempre houve calvinistas na história cristã (não o termo e suas atualizações, mas o conceito bíblico da salvação somente pela graça e eleição de Deus), e aguçando os oportunistas. E isso não provocará uma enxurrada de distorções, gerando pseudo-calvinistas? Como os de 3 e 4 pontos?

  8. Franklin Ferreira 20 Março 2009 às 9:24 #

    Oi Jorge,

    Não tenho certeza se o calvinismo será um novo modismo aqui no Brasil. A maioria dos que se identificam com o calvinismo, pelo menos aqui, e especialmente os pastores, acabam por pagar um preço alto (desprezo, ostracismo, calúnias, etc) ao se identificar com a fé reformada. E esta implica rejeição clara de muito que é popular na igreja hoje. Ainda que eu admita que curiosos e oportunistas surgirão em todo o movimento de renovação (cf. At 8.9-25; 19.8-20). Por outro lado, não acho que, no caso daqueles que não crêem na expiação limitada, eles sejam menos calvinistas do que os que crêem nos pontos como afirmados em Dort. Talvez, quando muito, calvinistas inconsistentes, mas não pseudo-calvinistas. Se for assim, então mesmo Calvino seria um… hã… pseudo-calvinista.

    Abs
    Franklin

  9. Danilo Neves 20 Março 2009 às 12:50 #

    Que legal, pr. Franklin, saber disto!! Gostaria, novamente com a sua permissão, de publicar futuramente este post no blog que trabalho.

    Pra chegar na “Time” já é uma boa evidência do impacto da doutrina Calvinista, o que não significa que podemos, de fato, generalizar. Concordo com o irmão com a incerteza do Calvinismo aqui no BRA, pois estamos na contra mão meeeeesmo e quase sozinhos em relação a igreja brasileira minada pelo relativismo teológico dos liberais e pelo pragmatismo religioso dos neo-pentecostais.

    O Calvinismo, na minha percepção do assunto, sempre foi uma abordagem teológica da minoria cristã. Desde Agostinho até Piper, passando pelos gigantes, como Lutero, Calvino, Whitefield e outros, a História confirma isso. Desde que o grande evangelista John Wesley popularizou, infelizmente, o arminianismo, daí pra frente então ficou ainda mais deproporcional a relação de adeptos ao cal. e arm.

    Em relação as distorções que o irmão Jorge disse, acho difícil um calvinismo de 3 ou 4 pontos! Isso porque todos os outros pontos dependem de somente um: a depravação total do homem. Aceitou um, o resto é consequência imediata, inclusive a famosa e polêmica predestinação! Caso contrário, voltamos pra uma espécie de arminianismo novamente. Entendo que a força do calvinismo não está na capacidade de fornecer brechas pra ajustamentos ou distorções do ensino, pois é precisamente o contrário, concluo.

    Tomara mesmo que o SENHOR esteja preparando uma Restauração do seu povo em nossos tempos. E como um ortodoxo-reformado-calvinista-presbiteriano, rsrs, tenho convicção que a doutrina de Calvino, por ser bíblica, levará a muitos a pureza doutrinária, o que dita a Reforma, juntamente com uma compreensão e relação adequada com o Espírito Santo.

    Sl 126.4: “Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe”. Essa é a verdadeira oração por Reforma e Avivamento espirituais.

    “Restaura, SENHOR”. Amém!

    Soli Deo gloria

    umpcgyn.blogspot.com

  10. Leonardo Bruno Galdino 20 Março 2009 às 13:53 #

    Franklin,

    Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelas excelentes publicações no blog.

    Realmente, o interesse das pessoas em torno desse assunto é crescente. Quando falei sobre a fé reformada a um irmão ele me disse que “já faz 500 anos que se discute isso e eu vim descobrir agora depois de 38 anos de igreja”. Entretanto, como você bem disse, há alguns perigos que cercam esse movimento de “renovação calvinista”, como o surgimento de “curiosos e oportunistas”. Como você avalia, por exemplo, o Mark Discoll, um líder dito reformado e ao mesmo tempo “emergente” (conforme ele mesmo se define)? Como tornar a mensagem reformada relevante para os dias de hoje sem perder de vista os seus referenciais históricos?

    Abraços!

  11. Danilo Neves 20 Março 2009 às 16:17 #

    Franklin, quem é o outro velhinho atrás do mini-Calvino, rsrs?

    Abç

  12. Franklin Ferreira 20 Março 2009 às 16:19 #

    Oi, Danilo,

    Fique à vontade para reproduzir o texto. Eu acho difícil alguém se identificar com a fé reformada e abraçar apenas 3 pontos do TULIP. Mas conheço quem se identifica como calvinista (e gente importante em nossa tradição) que tem dificuldades com o alcance da expiação. Por isto, como mencionei acima, chamo-os de ‘calvinistas inconsistentes’. Eu mesmo tive muitas dificuldades com a expiação limitada, e só ao ler o texto de John Murray, Redenção: consumada e aplicada, vim a me render ao testemunho bíblico.

    Vc está certo: olhando para a história, aprendemos que é somente por meio de um reavivamento da fé reformada, evangélica, é que veremos uma transformação da combalida igreja brasileira e uma modificação no deprimente cenário político e econômico em que vivemos.

    Oremos por isto!

  13. Franklin Ferreira 20 Março 2009 às 16:20 #

    Oi, Leonardo,

    Não tenho muito o que falar de Driscoll. Ele define sua igreja como teologicamente conservadora (calvinista) e culturalmente aberta. Um amigo assistiu uma pregação dele e ficou muito entusiasmado com o que ouviu. E devemos levar em conta que ele plantou uma igreja forte numa localidade (Seattle) conhecida como cemitério de igreja. Até a mídia local está espantada com ele. Também sei q ele é muito respeitado por gente importante da comunidade reformada americana, como Piper. E o texto que li dele num livro editado por Piper e Justin Taylor, A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno (CPAD) é excelente. Li rapidamente alguns debates muito interessantes q ele travou com o Brian Mclaren, sobre inferno e sexualidade. Diferente do ‘papa’ da Igreja Emergente, a posição de Driscoll é claramente evangélica. Em suma, Driscoll, até onde percebo, é um cristão reformado.

    Espero que ajude.

  14. Franklin Ferreira 20 Março 2009 às 16:21 #

    rsrsrs

    É o Thomas Hobbes. Eu sou fã do Calvin e Haroldo. Só que no original os personagens são Calvin and Hobbes. Num dos albuns (Os Dez Anos de Calvin e Haroldo, v. 1), Bill Watterson diz que o nome dos personagens é uma clara homenagem a dois dos homens mais influentes do ocidente. A professora rigorosa de Calvin, Miss Wormwood, é uma homenagem a C.S. Lewis. E algumas das melhores tiradas da série tem a ver com a fé. Quer dizer: Calvin rules – mesmo em histórias em quadrinhos!

    rsrsrs

  15. Leonardo Bruno Galdino 23 Março 2009 às 8:03 #

    Franklin,

    Muito obrigado por seu esclarecimento sobre Mark Driscoll. É que eu estive fazendo uma pesquisa sobre o movimento de “Igreja Emergente” e me deparei com um “emergente reformado” (rsrs!). John McArthur critica Driscoll no livro ‘Guerra pela Verdade’(diz ele que Driscoll é o “pastor que chama palavrão”), e eu quis conferir de perto o motivo dele. Assisti a uns vídeos do Driscoll no Youtube e, realmente, pude ver que ele é consistente doutrinariamente (pelo menos na soteriologia). Ele divide os “emergentes” em 4 classes: os LIBERAIS (negam doutrinas centrais do Cristianismo, como a expiação de Cristo, inspiração das Escrituras etc – e.g. McLaren, Rob Bell e etc), os EVANGÉLICOS (conservadores na doutrina – embora arminianos, na sua maioria – e inovadores no culto – e.g. Dan Kimball), os evangélicos “DO LAR” (igrejas reunidas nos lares) e NEO-REFORMADOS (doutrina calvinista).
    Na sua opinião, o que caracterizaria exatamente um “neo-reformado”?

    Ah! Se puder dê uma olhadinha no meu blog (opticareformata.blogspot.com).

    Abraços!

  16. Jorge Fernandes 23 Março 2009 às 8:04 #

    Franklin,
    Concordo com você sobre a perseguição aos calvinistas. O meu pastor foi excluído da sua denominação (batista bíblica) por ser calvinista, simplesmente por crer na soberania de Deus (acompanhei todo o processo, não houve nada além disso).
    Hoje somos uma pequena igreja batista, em que a palavra de Deus é eficaz e norteadora, não um mero detalhe (parafraseando certo técnico da seleção brasileira).
    Quanto à questão dos calvinistas de 3 e 4 pontos (conheço pessoas que se dizem calvinistas e rejeitam não somente a expiação limitada como a graça irresistível [os de 3 pontos]).
    Na minha opinião, calvinista inconsistente, que não crê na expiação limitada, é amyraldista, não calvinista.
    E, pelo pouco que li de Calvino, não creio que ele fosse inconsistente.
    Abraços.

  17. Caio 23 Março 2009 às 8:05 #

    Muito interessante toda a “filosofia” por trás desse quadrinhos, acho que vou lê-lo haha.

    Lembro-me de uma vez você (Franklin) ter escrito uma resenha de livro na Fides Reformata e entrou no assunto sobre calvinismo e arminianismo e acabou citando o Death of Death do Owen. Acredito que neste livro também há uma defesa irrefutável da expiação limitada.

    Também me lembro do Driscoll defendendo sua posição “emergente” mesmo sendo reformado. Sua defesa é que uma igreja emergente é simplesmente uma igreja que cresce num contexto de “contato” com o pensamento contemporâneo. Por isso ele diz que existem igrejas emergentes liberais como a de Rob Bell e Brian Mclaren, mas igrejas emergentes reformadas como a dele.

    Grande abraço e valeu pelo post.

    CAIO

  18. Franklin Ferreira 23 Março 2009 às 8:06 #

    Oi, Jorge,

    Vc escreveu:

    “Quanto à questão dos calvinistas de 3 e 4 pontos (conheço pessoas que se dizem calvinistas e rejeitam não somente a expiação limitada como a graça irresistível [os de 3 pontos]). Na minha opinião, calvinista inconsistente, que não crê na expiação limitada, é amyraldista, não calvinista. E, pelo pouco que li de Calvino, não creio que ele fosse inconsistente.”

    Um risco na história do desenvolvimento do pensamento cristão é atribuir a teólogos do passado conceitos que somente foram desenvolvidos posteriormente. No caso, a expiação limitada só foi tratada no começo do século 17, em resposta aos desafios da escola de Saumur. E os próprios amyraldistas se percebiam calvinistas. Se vc ler com atenção Calvino (seja nas Institutas, seja nos comentários) vc não verá algo como ‘expiação limitada’ em seus textos. Há uma ambiguidade neles neste ponto simplesmente porque não era matéria daquela época. Por isso, um problema no estudo histórico é cair num anacronismo quanto aos teólogos do passado, atribuindo a eles o que eles não escreveram.

    Por conta do exemplo de Calvino (e de outros, como R. Baxter) não tenho problemas em entender como parte do ramo reformado aqueles que não crêem na expiação limitada. Meu professor de TS no seminário tinha esta posição. E ele é membro dos Founders/SBC.

    Por outro lado, abrir mão da graça irresistível e se achar agostiniano-calvinista é brincadeira. rsrsrs

    Abs
    Franklin

  19. Danilo Neves 23 Março 2009 às 8:07 #

    “O problema com a posição de Amyraut é que ela, quando comparada com as posições reformada e arminiana “está de acordo com a reformada, e difere da arminiana porque sustenta que a eleição depende unicamente da boa vontade soberana de Deus; difere, porém, da teoria reformada e concorda com a arminiana em sustentar que o decreto da redenção precede ao da eleição” (A. A. Hodge, em Esboços, pág. 313). Por isso teólogo presbiteriano Louis Berkhof chamou o arranjo amyraldista de dúbio e insatisfatório (Teol. Sist., pág. 395) e alguns o rotularam de “semi-calvinismo” ou “calvinismo inconsistente”, nas palavras de B. B. Warfield.”

    Li num blog agorinha (link abaixo), num post sobre o amyraldismo, e resolvi mandar pra k! Ele usou fontes confiáveis (ou seja, reformadas, rsrs) pra falar do assunto.

    http://veritasimmutabilisest.blogspot.com/2008_09_06_archive.html

    Abç, Franklin

  20. Jorge Fernandes 23 Março 2009 às 8:07 #

    Franklin,
    Obrigado pela resposta, ainda que não concorde completamente.
    Sem entrar em polêmica mas já entrando, Calvino cria na plena e total soberania de Deus, e quem nâo crê na expiação limitada não crê na soberania de Deus, do ponto de vista bíblico, e creio, de Calvino. Calvino pode não ter usado esse termo apropriadamente, mas o conceito está lá. Independente disso, a Bíblia o ressalta claramente, e isto, na verdade, é o relevante, a palavra de Deus.
    Então, na minha opinião, calvinista inconsistente é qualquer outra coisa, menos calvinista. O que não tem nada a ver se ele é salvo ou não; nem tenho preconceito ou problema em chamá-lo de irmão, mesmo que seja arminiano (vejo o arminianismo como heresia, mas não vejo todo arminiano como herético).
    Mas é que o calvinismo pressupõe a soberania de Deus, e a expiação ilimitada enfraquece exatamente o conceito bíblico de soberania divina.
    Mais uma vez, obrigado, e um forte abraço.

  21. Rodrigo 23 Março 2009 às 8:07 #

    Olá Franklin,

    Desculpa-me fugir totalmente do assunto do post, mas é que eu ouvi algumas palestras suas na Fiel e estava há algum tempo já querendo tirar algumas dúvidas. Será que teria como você me passar algum email seu restrito para que possa entrar em contato?

    Abraço,
    Rodrigo.

  22. Franklin Ferreira 23 Março 2009 às 8:08 #

    Oi, Leonardo,

    Gostei bastante de seu blog. Especialmente do primeiro texto. Vou mandar para minhas listas.

    ;-)

    Obrigado pelo que vc escreveu sobre o Driscoll. Como te disse, não tenho leitura ou conhecimento (além do que escrevi) sobre ele. Realmente, não sei o que ele quer dizer com “neo-reformados”. Eu, particularmente, não gosto destes neologismos. Geralmente são usados em sentido pejorativo. Parece que uma editora ia publicar alguma coisa dele, mas desde 2007 não soube de mais nada.

    Abs
    Franklin

  23. Franklin Ferreira 23 Março 2009 às 8:09 #

    Vamos lá, Jorge:

    A questão do alcance da expiação não tem ligação imediata com a soberania de Deus, mas com o que Cristo de fato fez na cruz. E na Bíblia as duas questões (o que se fez na cruz e o alcance do mesmo) estão sempre ligados (cf. Rm 6, Ef 5, At 20.28, etc). Relacionar a expiação diretamente à soberania, como se uma dependesse da outra, me parece uma falha lógica. Soa simplista afirmar simplesmente que “quem nâo crê na expiação limitada não crê na soberania de Deus”. Eu já era calvinista quando, depois de dois anos de estudo, entendi que a doutrina da expiação definida era bíblica. E antes não cria menos na soberania absoluta de Deus. A negação da expiação limitada enfraquece a doutrina da cruz, primariamente. Pode afetar a compreensão que se tem da soberania divina. Mas não depende da mesma para se manter. Vc pode ver isto nos escritos de Millard Erickson ou John Stott, por exemplo.

    Parece-me que vc tem um entendimento bem restrito sobre o que é ser calvinista. O problema é que a própria história da tradição reformada oferece um conceito um pouco mais lato que o seu.

    No fim, vc cai numa contradição: se o arminianismo é herético, então, os arminianos forçosamente devem ser heréticos. Não dá pra separar um de outro. Por isso, devemos distinguir o arminianismo do pelagianismo; e heresia do erro. Há grande diferença entre a teologia arminiana e a teologia pelagiana. Infelizmente, não temos arminianos de verdade no Brasil. O pelagianismo é predominante. Então, como os antigos calvinistas (como William Ames, secretário do sínodo de Dort), eu entendo que os arminianos são irmãos errados. Os pelagianos são heréticos.

    Abs
    Franklin

  24. Danilo Neves 23 Março 2009 às 8:10 #

    Meu conhecimento é restrito quanto a diferença que você levantou para o irmão Jorge. “Infelizmente, não temos arminianos de verdade no Brasil. O pelagianismo é predominante”. Fiquei curioso pra entender mais a distinção básica…

    Abç

  25. Franklin Ferreira 23 Março 2009 às 8:11 #

    Oi, Danilo,

    Muito obrigado pela ótima contribuição.

    Quanto à distinção entre arminianismo e pelagianismo… puxa, é complicado resumir isso num comment. Vamos lá. Historicamente, o arminianismo crê no pecado original, na depravação total, na escravidão da vontade e na graça preveniente, que opera a fé e arrependimento. O problema é que o conceito de graça preveniente é uma graça geral; ela proporciona a oportunidade para o indivíduo crer e se arrepender. Nesse sentido, serão condenados os que permanecem em incredulidade. Note que ainda assim, a salvação depende de uma ação divina (mesmo q sinergista). Para o pelagiano, o pecado não é tão sério em seus efeitos, por isso ele rejeita a noção de pecado original e se escandaliza com a idéia de depravação total. A salvação depende basicamente da aplicação do livre-arbítrio, e a fé é uma obra humana. Em grupos predominantemente pelagianos, geralmente a busca de salvação descamba para o legalismo. E se enfatiza Jesus mais como um mestre moral do que sua obra expiatória e propiciatória (algo do tipo “em seus passos o que faria Jesus”). Note que a ênfase aqui é apenas à ação humana. O Espírito, quando muito, age persuasivamente (nas palavras de Finney). Mas ele não vivifica e regenera, como na tradição agostiniana-calvinista e mesmo arminiana. Por isso, Calvino era amigo de Melachthon. E Whitefield pregava com Wesley. Por outro lado, também vemos porque o pelagianismo, tão em voga em nosso meio, é considerado herético por católicos e protestantes. Na teologia sistemática q escrevi com Alan Myatt nós estabelecemos esta diferença, usando fontes primárias.

    Talvez aqui ajude um pouco: http://cincosolas.blogspot.com/2008/08/arminianos-ouam-armnio.html

  26. Jorge Fernandes 23 Março 2009 às 8:12 #

    Franklin,
    Sobre o arminianismo, a questão é que, para mim, ele sempre será uma heresia, visto não ser uma doutrina bíblica (contida na Escritura), a despeito de muitos teólogos influentes serem arminianos ou semi (como Baxter, que pode ser semi-calvinista/inconsistente ou amyraldiano: o que no fim das contas não é calvinismo; e Wesley).
    Acontece que, em toda a história, muitas pessoas foram salvas somente pela fé em Cristo, sem ao menos poder ler um versículo da Escritura, e, portanto, sem entender nada de teologia. Hoje, muitos crentes sinceros estão expostos à pregação arminiana, e são massacrados por ela, porém, crêem no poder e na obra expiatória e substitutiva de Cristo, ainda que julguem que Ele morreu por todos, e que agora, a escolha é de cada um. Esses são ignorantes das doutrinas, não entendem nada de teologia, mas o Senhor operou em seus corações o novo-nascimento, e isso é o suficiente para a salvação. Foi a esses arminianos que me referi.
    Quanto aos estudiosos que rejeitam a soberania e a eleição de Deus, para esses, há dois grupos:
    a) Os que como eu e o irmão foram convencidos pelo Espírito Santo da verdade bíblica (e isso acontecerá mais dia menos dia, segundo a vontade de Deus), e
    b) Os que não têm o Espírito Santo e permanecem na escuridão (normalmente, o apelo humanista fala mais alto).
    Como o irmão afirmou, meu calvinismo é restrito, e minha visão simplista, mas creio, bíblica, preto no branco, sem tons e sobretons cinza.
    Desculpe-me se pareço indelicado, mas é que o meu jeito de escrever é direto.
    Agradeço a sua atenção, e pesquisarei mais sobre o assunto na sua teologia (a qual adquiri há três meses).
    Abraços.
    PS: O fato do arminianismo conter algumas verdades isenta-o dos erros? E,por isso, não ser taxado de heresia?

  27. Franklin Ferreira 23 Março 2009 às 8:13 #

    Oi, Jorge,
    Então, sobre o amyraldismo não ser calvinismo, esta é somente sua opinião. Veja o link que o Danilo postou acima sobre esta questão; as citações de A. A. Hodge, Berkhof e Warfield talvez ajudem.

    Sobre a diferença entre arminianismo e pelagianismo, veja minha mensagem para o Danilo, acima.

    Com ela em mente, façamos a seguinte distinção: heresia é toda a negação ou comprometimento doutrinal que toca diretamente a salvação de pecadores. Por exemplo, a negação da divindade de Cristo (testemunhas de Jeová), a negação da justificação por graça pela fé somente (catolicismo), assim como o pelagianismo, são heresia. A assunção destas heresias compromete a própria base da salvação. Então, para sermos precisos, infelizmente, a base de muito da pregação da igreja brasileira é permeada não pelo arminianismo, mas pelo pelagianismo, com sua ênfase nas obras e consequente legalismo. Por outro lado, ‘erro’ é um comprometimento de alguma doutrina ou posição eclesial que não compromente a salvação do pecador. O arminianismo histórico (de Wesley e outros) compartilha uma base comum com o calvinismo histórico; ambos crêem que a salvação vem de Deus, inclusive a fé e o arrependimento (por exemplo, R L Dabney usava o sermão de Wesley, ‘A salvação pela fé’ em suas aulas como exemplo de sermão evangelístico bíblico), por isso o arminianismo histórico é um erro doutrinal, não uma heresia. Por isso houve avivamento entre arminianos (trabalhando em conjunto com calvinistas, como na Inglaterra e na Coréia), mas não entre pelagianos (como vc pode comprovar com as defecções ocorridas no avivamento finneiano – somente 10% dos que se ‘converteram’ sob seu ministério permaneceram na igreja posteriormente).

    Eu não gosto quando fazem caricatura de nossa posição; então, não vou fazer ‘um boneco de palha’ da posição alheia. A melhor forma de compreender uma posição antagônica, para refutá-la de forma inapelável, é apresentá-la da forma mais fiel possível.

    O triste é que, no fim, a gente se pega não brigando com arminianos. Quem dera os tivessemos hoje. A gente se pega brigando com pelagianos, que são rejeitados como hereges até mesmo (com acerto) pela igreja católica.

    Só um aparte: vc está correto; mesmo não conhecendo a doutrina, o fiel a experimenta. Mas aqueles que são salvos pelo Senhor o são pela Escritura, mesmo pela leitura ou por ouvir um único versículo da mesma; não há chamamento sem a Palavra. Ela é o único meio de ajuntamento dos eleitos.

    Abs
    Franklin

  28. Jorge Fernandes 23 Março 2009 às 8:14 #

    Franklin,
    Obrigado por suas respostas. Pode ficar tranquilo, encerro por aqui meus questionamentos, os quais você respondeu com precisão e muita gentileza. Certamente, parte das afirmações que fiz foram equivocadas, contaminadas por pressupostos errados e uma definição que induziu-me a equiparar erro com heresia. Perdoe-me se pareci pretencioso e arrogante.
    Quanto à salvação, não quis dizer que os que não leram a palavra não a ouviram (os analfabetos). Certamente eles a ouviram, por que sem a pregação e o ouvir a palavra não há salvação, como você disse. O que quis foi distingui-los daqueles que estudam e conhecem teologia. Jamais acreditei que houvesse salvação sem pregação (conforme Paulo categoricamente afirma em Romanos 10).
    Novamente, obrigado!
    Em Cristo nosso Senhor.
    Abraços.

  29. Danilo Neves 23 Março 2009 às 17:19 #

    Eu tive que rever alguns conceitos meus depois que me deparei com a idéia do arminianismo histórico que você expôs, Franklin, ainda que brevemente. Li o “Arminianos, ouçam Armínio!” e me supreendi, pois fui doutrinado a entender que Calvino e Armínio são água e óleo literalmente. Percebo que não só eu mas muitos em minha igreja tem uma idéia errada sobre o assunto, talvez por não se aprofundarem tanto ou por terem aprendido errado. Gostei da abordagem do irmão. Gostaria, se possível for, que você me indicasse livros textos pra estudar mais as diferenças entre pelagianismo-arminianismo com o “agostinhanismo”-calvinismo, bem como entender a evolução, ao longo da história, desses sistemas teológicos. Se for possível também, peço que me envie material via e-mail, caso o irmão tenha e possa disponibilizar. Sem querer muntar muito em você, mas já muntando, rsrsrs, peço que o irmão me mande algum material sobre patrística (especialmente sobre Agostinho) ou mesmo hermenêutica que fale sobre esse período da História do Cristianismo, bem como sobre o desenvolvimento da Igreja nele e das doutrinas. Tenho me interessado muito por essas áreas, mas material, além de não ter em qualquer livraria daqui de Goiânia, também é caaaaaaaaaro! Por isso peço esse grande favor pro irmão!

    Espero que entenda a necessidade, Franklin e muito obrigado pela interação e explicações que você me forneceu por aqui.

    Abç.

    Graça e paz, em Jesus, o Filho de Deus. Amém!

    Soli Deo gloria

  30. Leonardo Bruno Galdino 23 Março 2009 às 17:19 #

    Franklin,

    Obrigado por suas contribuições, especialmente quanto a questão do “leigo” no meu blog ;-) . Obrigado também por tê-lo adicionado à sua lista. Mês que vem devo estar indo aí na Igreja Batista da Graça, pois outro dia estive lá e vc não estava. Quem sabe dê pra gente conversar pessoalmente, mesmo que por alguns instantes?

    Um grande abraço!

  31. Franklin Ferreira 23 Março 2009 às 17:19 #

    Oi, Rev. Leandro, agradeço a vista.

    :-)

    E recomendo aos leitores as boas percepções de Rev. Leandro sobre a reportagem da Time no blog: http://blog.ipsantoamaro.com.br/

  32. Daniel 26 Março 2009 às 10:02 #

    Franklin:
    Mark Driscoll, em seu blog (http://theresurgence.com/new_calvinism) discorre sobre alguns pensamentos acerca do novo versus o velho Calvinismo:

    (…)
    4. O Velho Calvinismo era temeroso e desconfiado dos outros Cristãos e queimava pontes. O Novo Calvinismo ama todos os Cristãos e e constrói pontes entre eles.

    ***

    Conheci a comunhão cristã na igreja metodista e, portanto, não tenho formação calvinista, mas meu interesse por teologia tem me levado a buscar um maior entendimento da perspectiva reformada da nossa fé. Nessa minha peregrinação, o contexto em que Mark Driscoll comunica a palavra de Deus tem contribuído para essa aproximação. A maneira como você descreve os arminianos difere de muita coisa desagradável que já li.

  33. Emerson Eduardo 26 Março 2009 às 10:03 #

    Acompanhando o crescimento vem também a oposição. É só dar uma olhada na matéria (Tropeçando entre as doutrinas – Justificativas para demissões revelam tensão calvinista em Seminário Batista dos EUA) do link a seguir:

    http://www.cristianismohoje.com.br/artigo.php?sessao=Pol%EAmica&sessaoid=33457&artigoid=38691

    Emerson.

  34. Franklin Ferreira 26 Março 2009 às 13:43 #

    Oi, Daniel,

    Entre as leituras que aprecio, e me fazem muito bem, cito os diversos sermões de John Wesley (como o citado acima) e, especialmente, os diversos contos e ensaios teológicos de C. S. Lewis. Ainda que discorde deles na soteriologia, como cristão sou obrigado a conhecer e apresentar esta posição sem caricatura. Até porquê, esta é a melhor forma de repará-la, havendo possibilidade.

    Aliás, acho que, quando pela graça de Cristo chegar ao céu, vou ter que andar um bocado para chegar ao Trono… e chegando lá, eles já estarão assentados nos primeiros lugares.

    Abs
    Franklin

  35. Franklin Ferreira 26 Março 2009 às 13:43 #

    Oi, Emerson,

    Obrigado pela contribuição. Para quem não sabe, Paige Patterson é alinhado com a ala fundamentalista da SBC. Isso ilustra que ainda que haja terreno comum doutrinal entre ambos (especialmente quando pensamos nos primórdios do fundamentalismo), a fé reformada e os setores fundamentalistas da igreja evangélica acabarão por ser antagônicos.

    Abs
    Franklin

  36. Franklin Ferreira 30 Março 2009 às 8:24 #

    Boa reflexão de Augustus Nicodemus sobre a reportagem da Times: http://tempora-mores.blogspot.com/2009/03/estamos-crescendo-mas-temos-nossos.html

  37. Matias 31 Março 2009 às 8:12 #

    Franklin,
    o brigão Driscoll é uma figura impressionante. Fala a linguagem do povo, não se perde em um discurso academico, mas com brilhantismo expõe doutrinas como predestinação e condenação eterna. Até não-reformados deleitam-se em ouvir-lo. Prega com paixão e não é cansativo ouvir-lo por 1 hora ou mais.
    No site da Mars Hill Church, Seattle, pode se baixar seus sermões e séries, inclusive o curso inteiro que é ministrado para ser membro da igreja Marshill. Nesta série aborda-se temas como criação, salvação, adoração, escatologia.
    É uma nova face do Calvinismo, pois é nada conservador na sua maneira de pregar, desafiar, mas tambêm para construir pontes para os outros segmentos conservadores do movimento evangélico. Por exemplo, já foi orador de congresso das Assembleias de Deus nos EUA.
    E, ao meu ver, Driscoll é o melhor apologeta contra a emerging church, pois no inicio de sua carreira foi companheiro de alguns dos principais protagonistas deste movimento. Separou-se deles devido as suas convicções reformadas.
    Claro que um calvinista fundamentalista como John MacArthur não gosta de Driscoll, mas ele é respeitado por John Piper e J.I Packer, sendo que é amigo dos dois.
    Gostaria de ver os livros de Driscoll sendo publicados em portugues. Seria um excelente complemento para Mark Dever e 9 Marks.
    E na Christianismo Online pode se ler mais a seu respeito:http://www.cristianismohoje.com.br/retrancas/Pastor%20provocador/35576
    O site da MarsHill é http://www.marshillchurch.org/
    CUIDADO: existe outra Mars Hill church do Rob Bell (teologia narrativa, emerging church) que não tem nada a ver com Driscoll!
    Abraço,
    Matias

  38. Domingos da Gama Fernandes 31 Março 2009 às 8:15 #

    Olá Franklin, quanto tempo… Tenho notado uma aversão menor ao Cavinismo em território Presbiteriano… as pessoas que têm chegado a minha igreja têm revelado uma abertura muito maior ao TULIP… Não sei ao que se deve exatamente, mas sei que algo tem acontecido…

    Abração.

    Domingos.

  39. Franklin Ferreira 31 Março 2009 às 10:31 #

    Oi, Domingos,

    Que bom receber sua visita!

    Realmente, o antigo calvinismo ressurgiu com força aqui no Brasil; não somente em meios ‘históricos’, mas mesmo entre pentecostais e carismáticos.

    Eu sugeriria algumas razões; mas isto fica para outro post.

    :)

    Abs
    Franklin

  40. Franklin Ferreira 31 Março 2009 às 10:51 #

    Oi, Matias,

    Muito obrigado por sua msg. Como escrevi acima, quando estava no Rio, em 2007, soube por um amigo que uma editora iria publicar alguns livros de Driscoll. Mas não soube mais nada.

    Sobre a igreja emergente, olha que tirada perceptiva do Driscoll sobre o Brian McLaren:

    ?Although I sincerely love Brian and appreciate the kindness he has shown me, I generally disagree with many of his theological conclusions. Because he comes from a pacifistic Brethren background, such things as power and violence greatly trouble him. His pacifism seems to underlie many of our theological disagreements since he has a hard time accepting such things as the violence of penal substitutionary atonement, parts of the Old Testament where God killed people, and the concept of conscious eternal torment in hell. Curiously, it is also Brian?s pacifism that makes him such a warmly engaging person who is able to speak and write about theologically controversial issues while being gracious. Ironically, my love for and disagreement with Brian are both borne out of his pacifism. But I find it curious that, from my perspective, he is using his power as a writer and speaker to do violence to Scripture in the name of pacifism.? (Confessions of a Reformission, p.99)

    Brilhante, não?

    Abs
    Franklin

  41. Marcelo Fernando de Assis 2 Abril 2009 às 11:05 #

    Olá,Franklin, sou da Cidade de Campinas,sou membro de uma igreja batista fundamentalista, posso te dizer que o calvinismo tem ganhado força entre os batistas fundamentalistas , principalmente entre os regulares.
    “O Jornal de Apoio Batistas Fundamentalista”
    Sempre divulga as Conferencias da Fiel, o que tem enfluenciado muito. Este Jornal tem circulação entre :
    Batistas Bíblicos, Batistas Regulares e Batistas Independentes. O Editor do Jornal Pr. Carlos Alberto Moraes já indicou muitas vezes as conferencias da fiel.
    Este jornal pode ser um importante veiculo para divulgação da fé reformada.

  42. Franklin Ferreira 2 Abril 2009 às 11:05 #

    Oi, Marcelo,

    Muito grato pelas informações. Que Deus abençoe o ministério do Jornal de Apoio.

    Abs
    Franklin

  43. Juan de Paula 3 Abril 2009 às 8:42 #

    Matias,

    Há um projeto de uma editora no estado do RJ em publicar as obras de Driscoll em português, uma delas já traduzida. O que Driscoll articula é uma pregação bíblico-reformada em formato emergente, ou seja, uma forma emergente com um conteúdo calvinista o qual ele denomina reformissional. Por missional, Driscoll alega que todo cristão é um missionário engajado em sua cultura e não somente os missionários transculturais como aqueles fora do ocidente devem engajar-se na cultura. Isso fica claro na definição do seu pensamento “teologicamente conservador e culturalmente liberal”. Vemos isso acompanhando o seu trabalho em Seatlle, um cemitério de igrejas como a cidade é chamada e como Driscoll mesmo testemunhou, quando voltou para lá após a universidade , para plantar igreja – viu 2 igrejas históricas com pastores homossexuais publicamente assumidos.

    Driscoll tem caminhado sim com J.I Packer (há fotos juntos em seu blog) ; John Piper e Wayne Grudem (de quem Driscoll afirma ser seu mentor teológico e usa a sua sistemática para treinar os plantadores formados pelo Acts 29, instituição que dirige junto ‘a um presbítero de sua igreja chamado Scott Thomas). John Piper se aproximou de Driscoll inclusive orientando a melhorar sua línguagem em publico. Driscoll considera Piper e Tim Keller (Reedemer presbytrian church-NY) seus mentores pastorais. Ainda sim, Driscoll mantém pontes com expoentes de crescimento de igrejas como Rick Warren e Bill Hybels gerando desconforto da parte de alguns calvinistas como John MacArthur por exemplo. Porém MacArthur, ainda criticando Driscoll, reconhece que é louvável a pregação dele quanto a soberania de Deus e a expiação substitutiva.

    Creio que seja apenas uma questão de tempo para termos algo dele traduzido nas prateleiras de livrarias evangélicas.

    Abs,
    Juan

  44. Ulisses 3 Abril 2009 às 11:53 #

    Prezado brother Franklin (e demais irmãos)

    Eu, de quem alguns dizem ter um espírito mais especulativo que a média, e que costuma gostar de investigar mais a fundo as questões, fiz uma pequena pesquisa a respeito do autor da matéria sobre Neo-Calvinismo.
    Pesquisei, pois queria testar a possibilidade de ser matéria de algum modo plantada ou suspeita.

    David Hermann van Biema, o autor do tópico 3.Neo-Calvinism, é judeu-americano (por tanto, reconhecidamente não-cristão).
    Formou-se em jornalismo na University of Columbia.
    É um pesquisador e editor-senior sobre religião na revista New York Times.

    Portanto, deduzo que nada tem de suspeito!
    Outras matérias que incluem dados a respeito dele através do Google search parecem confirmar isso.
    Segundo alguns conceitos emitidos, trata-se de um jornalista que honra o nome da profissão.

    Abraços fraternais

    Ulisses

  45. Juan de Paula 6 Abril 2009 às 8:44 #

    Sandro,

    é isso mesmo: Essa editora lançará o material. O tradutor (ou um deles acho) é um amigo que estudou comigo mas desconheço a editora, que até onde consta, ainda não iniciou suas atividades e projetos literários.

    Eu sei quais são os livros e são os que fundamentam a teo-eclesiologia reformissional de Driscoll. Eu tive contato com o material em inglês.

    Aguardemos, então, com expectativa os lançamentos certo de que será benção para a igreja de Cristo aqui entre nós.

    Abs

  46. Marcus Paixão 9 Abril 2009 às 9:00 #

    É incontestável que muitos cristãos estão voltando às doutrinas da graça, e não somente nos EUA, aqui no Brasil também. Muito dsso se deve graças a grande quantidade de material reformado que está sendo publicado, bem como simpósios e outrois eventos do tipo. O problema que vejo é que muitos tem retornado a um mero calvinismo intelectual, esquecendo do calvinismo prático, bíblico, que moveu o mundo no passado. Que Deus nos conbceda um retorno completo…

  47. Franklin Ferreira 9 Abril 2009 às 9:01 #

    Oi, Marcus,

    Vc está correto em sua percepção. Creio que a grande força da fé reformada reside no ‘calvinismo experimental’. Me parece que uma séria meditação na doutrina da regeneração é um bom corretivo para este problema que vc aponta.

    Abs
    Franklin

  48. Para Franklin 14 Abril 2009 às 9:11 #

    Esqueci de colocar meu nome.

    Sou o Pastor Juliano.

    Obrigado Franklin

  49. Franklin Ferreira 14 Abril 2009 às 9:12 #

    Oi, Juliano,

    Gostei muito de seu depoimento.

    Em primeiro lugar, sua experiência lembra que estamos em luta espiritual. Por isso é bom trazer na mente as palavras dos apóstolo:

    “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.”

    Então, a ação demoníaca será constante num ministério acompanhado pela graça de Deus.

    Em segundo lugar, vc está correto: somos chamados para pregar a Palavra. Num ambiente acadêmico, tudo bem citar num discurso ou mesmo num sermão os escritores que tanto gostamos. Mas, na igreja, quanto mais simples e bíblica a pregação melhor. Aliás, quanto mais expositiva a pregação melhor, enfatizando a idéia central do texto para o povo, com aplicações relevantes. O melhor é evitar todas as citações de escritores (ou citá-las somente quando necessário, como ilustração) e jargões teológicos. A ordem é: “prega a palavra”.

    Eu acho engraçado como alguns escritores e mesmo blogueiros em nosso meio necessitam citar os antigos escritores por quase qualquer razão; o que fica parecendo é ou (1) exibicionismo ou (2) a necessidade desesperada de usar o argumento ad verecundiam (da autoridade) para vencer algum debate.

    Os escritores antigos são importantes; eles iluminam nossa interpretação bíblica. Devo muito a Irineu, Agostinho, Anselmo, Calvino, Edwards e Kuyper, entre outros. Mas, na solidão do púlpito, o que conta, em última instância, é a exposição da Palavra, pois a Escritura é suficiente para salvar e edificar os eleitos. E esta é a melhor estratégia para reformar uma igreja.

    Abs
    Franklin

  50. Ronaldo 14 Abril 2009 às 9:12 #

    Olá Franklin, diante do impacto causado do reconhecimento da existência e influência de João Calvino nos nossos dias, e olhando para a situação religiosa e política do nosso Brasil. Na sua opinião, é possível haver alguma mudança no Brasil? E o que podemos fazer para que esta mudança ocorra?

    Grato,
    Em Cristo,
    Sem. Ronaldo P. Gomes.


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