VINACC, o carnaval e a ética pública evangélica
No período de 22 a 24 de fevereiro tive o privilégio de falar no XI Encontro para a Consciência Cristã, em Campina Grande, na Paraíba. Este evento é promovido pela VINACC: Visão Nacional para a Consciência Cristã (http://www.conscienciacrista.org.br/). O que espanta, para quem participa do encontro pela primeira vez, é a amplitude do evento. Antes do Encontro, em começos de dezembro, por meio de um ministério chamado Projeto Jonas, cerca de 380 mil pessoas são visitadas, recebendo material evangelístico e convite para participar do Encontro. E durante o evento, que ocorreu de 18 a 24 de fevereiro, cerca de 50.000 pessoas participaram de pelo menos uma das programações oferecidas no Parque do Povo. E aproximadamente 10.000 crianças participaram de um evento paralelo, chamado Consciência Cristã Kids.
Durante as noites ocorrem os cultos. Os pregadores desses cultos foram: Rev. Hernandes Dias Lopes (1ª. Igreja Presbiteriana de Vitória/ES), Ron Boyd-MacMillan (Missão Portas Abertas), Pr. Paulo Solonca (1ª. Igreja Batista de Florianópolis/SC), Pr. Renato Vargens (Igreja Cristã da Aliança em Niterói/RJ), Pr. Virgínio de Carvalho (Assembléia de Deus em Aracaju/SE), Rev. Oswaldo Prado (SEPAL) e Rev. Antônio Carlos (Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca/RJ). O louvor ficou a cargo de Asaph Borba, Atilano Muradas, Armando Filho e André de Oliveira (o impagável Reverbério), entre outros. Para se dar uma dimensão do evento, no último culto havia cerca de 10.000 pessoas presentes na tenda principal, o Tabernáculo Bíblico. O prefeito em exercício de Campina Grande, José Luiz Júnior, esteve presente nesse dia, assistindo o culto até o fim.
Impressiona também as muitas opções de palestras oferecidas nas manhãs e tardes de domingo até terça nas centrais de palestras, stands confortáveis onde ocorriam reuniões com grupos menores. Ocorreram fóruns e encontros cobrindo uma ampla gama de temas teológicos, pastorais e éticos: 1º Seminário sobre o cristão e a saúde; 1º Encontro sobre os malefícios da pornografia para a sociedade; 2ª Conferência sobre missão integral; 5º Seminário de louvor e adoração; 4º Fórum para a família sadia; 1º Fórum sobre fé e ciência; 6º Encontro para a consciência missionária; 1º Encontro de pessoas que vivenciaram a homossexualidade; 9º Encontro para jovens e adolescentes; 1º Seminário para capacitação de professores de EBD; 1º Seminário sobre a realidade da igreja evangélica brasileira. Tive o privilégio de falar em dois encontros: no 5º Encontro cristão de teologia e filosofia, falei em três ocasiões, sobre a relação da fé cristã e política numa perspectiva evangélica, e no 2º Fórum para a capacitação de lideranças cristãs sobre questões éticas, falei em outras três ocasiões sobre ética e espiritualidade, quando ofereci um resumo da obra clássica de Jonathan Edwards, Religious Affections.
Também foram oferecidos os seguintes seminários apologéticos: Maria – de serva do Senhor à rainha dos céus; Síntese dos principais movimentos religiosos atuais; Esclarecendo os argumentos das Testemunhas de Yehoshuah e dos judaizantes; Existem semelhanças entre os jeovistas e sabatistas?; Conhecendo os argumentos do conjunto A Voz da Verdade e do Tabernáculo da Fé; O Novo Testamento foi influenciado pelas religiões e filosofias pagãs?; Ateísmo – a fé dos que não crêem em Deus; Por que não creio na astrologia?; Analisando a doutrina dos anjos e demônios; O deus dos muçulmanos é o mesmo Deus dos cristãos?; O que é gnosticismo?; Santo Daime – o culto do cipó; Deus e extraterrestres; O satanismo ontem e hoje; As heresias dos “profetas” da prosperidade; A singularidade de Cristo e do cristianismo; O liberalismo teológico e seus efeitos nocivos à fé cristã; A necessidade da defesa da fé cristã; Ser cristão – o que Cristo ensinou; Ser igreja – enfrentando a crise de identidade; Boas obras salvam?; O espiritismo é cristão?; Jesus Cristo: fato ou mito?; Por que se deve crer na verdade?.
No sábado, 23 de fevereiro, ocorreu o 1º Painel sobre políticas públicas, cobrindo assuntos como fé e política; a ameaça do estado totalitário e seu controle sobre as famílias e cidadãos; a nova ordem mundial e a pedagogia queer; a influência sociocultural da pornografia; a mulher, o aborto e o controle demográfico. Este encontro continuou à tarde, com os participantes do painel respondendo às perguntas feitas pelos participantes do Painel e pelos ouvintes do programa Consciência Cristã em Foco, transmitido pela Rádio Cariri AM – 1160 Khz.
Ficou evidente pelos temas das palestras a ênfase naquilo que é central ao cristianismo histórico e às principais ameaças que este sofre. Por isso, pelo menos para mim, poucas vezes vi a famosa frase atribuída a Richard Baxter ser tão verdadeira: “Em coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”. Havia preletores de diversas denominações: Assembléia de Deus, batistas, Brasil para Cristo, congregacionais, metodistas, presbiterianos e de comunidades independentes. Tive o privilégio de fazer as refeições com a maioria dos preletores, e todos eles encarnaram o tema do evento, uma visão cristocêntrica, enfatizando os pontos centrais da fé cristã histórica. Aliás, preciso destacar o privilégio de ter sido convidado para jantar na segunda-feira à noite com cerca de trinta preciosos irmãos da Igreja Presbiteriana de Campina Grande, e ter conhecido o Rev. Jorge Issao Noda, respeitado ministro da IPB, e um dos apoiadores da VINACC. Esta é uma das maravilhas do evangelho: reunir pessoas que não se conhecem em comunhão, como se fossem antigos amigos.
Sou extremamente grato por participar de tal evento, e agradeço ao convite que me foi feito pelo presidente da VINACC, Pr. Euder Faber, da Igreja Brasil para Cristo, para estar ali naqueles dias. Aliás, preciso destacar o cuidado e esmero destes irmãos com todo o evento: segurança, alimentação, mídia – toda a infra-estrutura do evento é preparada com capricho e cuidado. Os palestrantes dos seminários e fóruns tinham a companhia constante de irmãos muito bem preparados, prontos para apoiar e ajudar, em qualquer necessidade. O serviço prestado por eles é primoroso.
O espantoso é que em Campina Grande o carnaval não é feriado (nem mesmo a terça-feira). O evento da VINACC não só suplanta em impacto os encontros que grupos religiosos não-cristãos fazem na região, mas o próprio desfile de carnaval. Isso é um contraste gritante com o que ocorre na região sudeste na mesma época. O que antes estava circunscrito a alguns grupos neo-carismáticos vai ganhando adeptos entre aqueles pertencentes às igrejas históricas: participar dos infames desfiles de carnaval. A suposta argumentação bíblica para justificar tal prática é pueril. Não é digna de resposta. Não há argumento bíblico possível que apóie tal prática. O que estes grupos fazem é respaldar uma festa deprimente, onde a promiscuidade e outros vícios são celebrados. E os resultados são risíveis. Supor que eventuais “decisões” validem tal prática é assumir desconhecimento de que Deus exige fé em Cristo e arrependimento de pecadores. E tal conversão é seguida por “frutos dignos de arrependimento” (Lc 3.18). Estes fariam bem em ler com atenção o que o apóstolo aos gentios escreveu em Efésios 4.17-5.18 (NVI):
17Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na inutilidade dos seus pensamentos. 18Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento do seu coração. 19Tendo perdido toda a sensibilidade, eles se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza.
20Todavia, não foi isso que vocês aprenderam de Cristo. 21De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. 22Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, 23a serem renovados no modo de pensar e a 24revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. (…)
30Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. (…)
1Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, 2e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus. 3Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. 4Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças. 5Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. 7Portanto, não participem com eles dessas coisas.
8Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, 9pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; 10e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. 11Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. 12Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. 13Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. 14Por isso é que foi dito:
“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti”.
15Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, 16aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. 17Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. 18Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito.
O texto é claro. As obras da luz não se conciliam com as obras das trevas. Triste é que quanto mais a igreja quer se parecer com a cultura ao seu redor, mais a igreja deixa de ser igreja. À medida que uma comunidade cristã começa a imitar os piores vícios culturais, no anseio de parecer agradável e moderna àqueles de fora dela, ela deixa de ser igreja. No fim, adulada por pecadores, é incapaz de trazê-los a Cristo. Por isso, aqueles que querem realmente agradar a Deus e dar bom testemunho aos de fora devem, na força do Espírito, e por meio da Palavra, se portar de tal forma que Deus seja glorificado por um alto padrão de santidade no casamento, na família, no trabalho, nos estudos, na política, nas artes e nos vários relacionamentos que temos em nossa caminhada diária. E o aviso das Escrituras permanece – somente por meio da loucura da pregação pecadores serão salvos (1Co 1.21-24 NVI):
21Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação. 22Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; 23nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, 24mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.
O mais triste é que a descaracterização da igreja evangélica nos grandes centros urbanos caminha junto com o aumento da violência, da barbárie, da corrupção, do sucateamento da educação e da saúde e do aumento da desigualdade social. E a igreja permanece letárgica, incapaz de se mobilizar. A igreja perdeu seu chamado à santidade, e tornou-se incapaz de reformar a sociedade. Por isso, o esforço por uma ética pública evangélica é praticamente inexistente. Tornamo-nos incapazes de protestar. No Rio de Janeiro, entre 2000 e 2006, ocorreram 53.454 assassinatos. Em 29 de novembro de 2005 ocorreu o impensável no Rio de Janeiro. Cinco pessoas, inclusive uma criança de um ano e um mês de idade, juntamente com sua mãe, morreram queimadas dentro de um ônibus, na Penha, subúrbio ao norte daquela cidade. Estes bárbaros assassinatos elevaram a violência a um novo e assustador patamar naquele município. Outras 14 pessoas ficaram feridas. Junto com mais dois amigos, redigi uma carta, para enviar a toda a liderança política do Estado e aos meios de comunicação. Cerca de noventa pessoas assinaram a carta. Em 2007 foram registrados 10.942 homicídios no Rio de Janeiro. E as previsões para 2009 são pavorosas. Em janeiro de 2007 um grupo de evangélicos iniciou um movimento chamado Rio de Paz. Qual foi a adesão das igrejas daquela cidade? Ínfima. Então, quando a igreja está tão preocupada em se tornar atraente aos de fora, que perde de vista seu chamado à santidade, ela não só trai seu chamado, mas se torna irrelevante.
O que aconteceu em Campina Grande deve nos levar a glorificar a Deus, servindo como modelo para o restante da igreja em nosso país. Clamemos para que Ele derrame seu Espírito sobre a igreja evangélica brasileira, para que esta seja purificada e avivada. Somente por meio desta ação soberana de Deus, não nos envergonharemos do evangelho, que “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), e testemunharemos tanto em nossa vida pessoal quanto na esfera pública, trazendo esta grande nação para debaixo do comando de Deus: “Porque o SENHOR é o nosso juiz, o SENHOR é o nosso legislador, o SENHOR é o nosso Rei; ele nos salvará” (Is 33.22). Somente por meio de um avivamento, a igreja permanecerá igreja, sem trair seu chamado à santidade, confessando Cristo como único e absoluto Senhor (Mt 10.32 cf. Rm 10.9). Que escutemos Dietrich Bonhoeffer: “[A igreja] não nos será tomada — seu nome é decisão, seu nome é o discernimento dos espíritos… Venha… você que foi abandonado, você que perdeu a Igreja; retornemos às Sagradas Escrituras, busquemos juntos a Igreja… Pois aqueles momentos, quando a compreensão humana se desintegra, podem muito bem ser uma grande oportunidade de edificação… Igreja, permaneça igreja! … confesse, confesse, confesse”.
[Para uma resposta ampla e detalhada do comprometimento da igreja com a cultura secular, recomendo o ótimo livro de John MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho. O que eu gosto neste livro não é apenas a lógica passional do autor em defender a necessária santidade da comunidade cristã; mas também a admiração diante do discernimento espiritual do grande pregador batista Charles Spurgeon, que em meados do século xix anteviu claramente a crise espiritual e eclesial que vivemos hoje.]
18 Comentários para “VINACC, o carnaval e a ética pública evangélica”
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Graça e Paz!
Glorifico a Deus quando leio que muitos irmãos anseiam por ver o evangelho verdadeiro, o meio pelo qual nosso Deus determinou para salvação de todo aquele que crer, ser pregado e não a conformidade com o mundo condenada Rm 12:2. Louvo a Deus que na Paraíba possamos contemplar o agir do Espírito do Deus Vivo. Uma excelente estratégia para expandir o evangelho, ou melhor uma revelação da parte de Deus em convidar antecipadamente e com visitas pessoas a participarem de um evento que pode mudar suas vidas, com temas tão relevantes para vida cristã. Deixemos Deus ser Deus e sejamos servos obedientes, cumpramos o IDE de nosso Senhor Jesus Cristo.
Tulipa _ Fortaleza.
Já havia lido sobre este evento no Jornal do Desafio das Seitas. Antes, já havia visitado o site do VINACC. Confesso que em ambos momentos o que despontou em minha mente foi esperança. Esperança para a Igreja no Brasil, esperança que o Senhor manifeste Sua misericórdia em nosso meio e vivifique aqueles que se chamam pelo Seu Nome neste país. Contudo, acho que tenho uma certa doença que contraí dos Puritanos. Meia-reforma nunca me satisfaz. Minha alma anseia por Santidade e a mais profunda e verdadeira Santidade que, pela Escritura, reconheço como promessa de Deus para o Cristão, concebida com lutas e quebrantamento, segundo a eficácia do Santo Espírito que em nós habita. Me alegra toda esta notícia, me alegram iniciativas e eventos como este. Porém minha alma pede por mais pureza.
“Em coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”, todavia, será que a unidade entre a teologia da Assembléia de Deus e da Brasil para Cristo com a teologia da Igreja Presbiteriana realmente se dá por ignorar apenas coisas não-essenciais? Não creio. Pelo contrário, a verdade da Escritura é estreita e a unidade nas coisas não-essenciais dificilmente ultrapassa questões como peculiaridades na ordem dos decretos de Deus, aspectos da inter-relação das Pessoas da Trindade e o método de governo da Igreja. Nestas questões, inclusive, estava o contexto das discussões em que Richard Baxter se envolvia e não creio que ele, ou outro dos Puritanos, se sentiria plenamente satisfeito com uma reunião onde Arminianos, Pelagianos, Anglicanos da “Alta Igreja” e “Fanáticos anabatistas” estivessem juntos e se alternassem no púlpito.
Conclusão: Em parte me alegro porque este evento representa uma melhora na condição da Igreja no nosso país – ao menos é uma contramão na neopentecostalização nacional. Porém ainda é algo que me alerta, mostrando quanto estamos distantes de uma Igreja Pura – voltando aos Puritanos e a Inglaterra de Richard Baxter, havia, sem dúvida, algo de melhor na existência da Igreja Anglicana se comparado com o domínio Católico. Porém, ainda havia muito, muito, a se fazer.
Oi, Ademir,
Tome cuidado ao supor que o movimento puritano era um movimento monolitico. Havia, inclusive, puritanos arminianos, como John Goodwin, que eram parte do movimento. E o próprio Baxter antecipou, em alguma medida, algumas das ênfases da Nova Perspectiva Paulina na doutrina da justificação. Ele também não cria na expiação limitada, nem mesmo na expiação vicária e penal. Ele afirmava, seguindo Grotuis, a teoria govenamental da expiação. Me parece que a lista do que era essencial entre os puritanos era bem mais ampla que a lista que vc fez. Por exemplo, pesquise sobre o que uma comissão de teólogos puritanos, convocada pelo Parlamento em 1654, definiu como essecial para ser tolerado e quais os pontos fundamentais do cristianismo. Vc irá se surpreender. E entre os que faziam parte desta comissão estavam Richard Baxter, John Owen, Thomas Goodwin, Marshall, Manton, Nye e outros puritanos importantes, convocados pelo próprio Oliver Cromwell.
Escrevo isso até para destacar que os que participaram da VINACC estão ali como indivíduos; não representando denominações. Com excessão do diretor da Portas Abertas, todos que estavam lá representavam a si próprios.
Eu almejo servir numa igreja em luta para ser pura e santa; mas não numa igreja sectária ou exclusivista, pois tal grupo não é mais uma igreja – é uma seita. Precisamos lembrar que, pelo menos nessa vida, nenhuma igreja ou comunidade cristã será totalmente santa. Haverá sempre uma infeliz mistura de graça e pecado em nossas igrejas e comunidades, mesmo em seus melhores momentos. Basta estudarmos sobre o avivamento nos EUA no século XVIII, para vermos como alguns fenômenos indignos se misturaram com aquela obra de Deus.
Ajuda lembrar também que o Espírito sopra onde quer. Em sua liberdade, Ele costuma nos surpreender. Ele não ajuntou metodistas e presbiterianos no avivamento na Coréia nas primeiras décadas do século 20?
Nos tempos tão complicados em que nos encontramos, como vc bem conclui, devemos nos alegrar com o que Deus está fazendo, mas sempre clamando por mais!
Abs
Franklin
Eu reconheço que nenhum movimento é monolítico, inclusive o movimento puritano. Aliás, havia puritanos muito mais “estranhos” em sua teologia do que John Goodwin. E mesmo John Goodwin não foi reconhecido pelos membros das igrejas como digno de uma cadeira entre os Divinos de Westminster. Richard Baxter mesmo também era bem peculiar nos seus pensamentos. Contudo, Baxter consegue, ao contrário do “novo Arminianismo” de Goodwin, mesmo com suas peculiaridades teológicas, afirmar, tanto na prática quanto com as últimas conclusões de seu sistema, pontos tão próximos da fé sadia que, como comumente se discute, podia ser considerado um calvinista de 4 pontos ou, talvez, de “4,5″ pontos. Contudo, sinceramente, me considero suspeito para falar de Baxter; ele me conquistou com o magistral Christian Directory (como gosto deste livro!), com a simplicidade do Call to the Unconverted e com a genialidade de tantos de seus sermões.
Quanto a comissão de teólogos puritanos, convocada pelo Parlamento em 1654, eles foram mais restritivos do que eu! Se você pensar, com uma mente puritana, considerando os escritos e artigos de fé dos homens que escreveram este tratado, sobre cada um dos 16 artigos, você verá que eles eliminaram da comunhão Cristã, por estes artigos:
Os papistas e todos seus aparentados legalistas (o artigo 13 basta para cortar este mal pela raiz); os teístas, ateus, agnósticos e universalistas (e seus filhotes tardios do liberalismo e da atual teologia aberta – os 2 primeiros artigos); os socinianos, arianos e os unitarianistas (acho que de 2 ao 8 basta para estes); os antinomianos, os “fanáticos” e quakers (e seus filhotes tardios do pentecostalismo, neo pentecostalismo e dispensacionalismo – o artigo 1, o 2 o 15 e o 16 destroem pontos fundamentais destas crenças) e tantas outras heresias cujo legado não nos atinge.
Quanto ao indivíduo não representar a denominação, bom tenho de discordar. Não que isto seja impossível, de um homem ser uma excessão ou de não estar de acordo com seus pares denominacionais, mas que isto confunde os Cristãos mais fracos e os mais jovens e os mais simples. Como poderia explicar para uma senhora semi-analfabeta de uma congregação sob minha responsabilidade que: apesar de nós discordarmos da Assembléia de Deus e pedirmos que nenhum membro de nossa igreja, pelo bem de sua sanidade e de seu espírito, vá àquela denominação, nós convidamos os seus pastores e membros para virem pregar aqui.
Por fim, faço minhas as palavras de Spurgeon:
“Eu tenho minha própria opinião particular de que não há tal coisa como pregar Cristo e Ele crucificado, a menos que nós preguemos que nos dias de hoje isto é chamado de Calvinismo. É um apelido chamar a isto de Calvinismo; o Calvinismo é o evangelho, e nada mais. Eu não creio que podemos pregar o evangelho, se não pregarmos a justificação pela fé, sem obras; nem sem pregarmos a soberania de Deus e Sua dispensação de graça; nem sem exaltarmos a eleição, pelo inalterável, eterno, imutável, conquistador amor do SENHOR; nem penso que podemos pregar o evangelho, a menos que o baseemos sobre a especial e particular redenção de Seu povo eleito e escolhido o qual Cristo formou sobre a cruz; nem posso eu compreender um evangelho que deixa santos decaírem após serem chamados, e sujeitar os filhos de Deus a serem queimados no fogo da condenação após terem uma vez crido em Jesus. Tal evangelho eu abomino.” Sabendo que o irmão Franklin conhece a profundidade destas palavras e como elas coadunam tanto a prática de Spurgeon em acirrada batalha pela Verdade, não poupando nem o mais achegado amigo de críticas doutrinárias, quanto a prática de Spurgeon em toda tolerância e respeito (relembro que ele pregou e visitou aos Quakers e elogiou, mais de uma vez, de púlpito, a John Wesley) – não creio que o irmão considere Spurgeon ou os citados puritanos sectários ou exclusivistas, não mais do que o sadio para evitar o “fermento das falsas doutrinas”.
Já com relação a “nenhuma igreja ou comunidade cristã ser totalmente santa” e a “infeliz mistura de gra
Oi, Ademir,
Não dá para considerar R. Baxter um calvinista de quatro pontos nem mesmo de 4,5 pontos. Gosto dele demais. É o autor que formou minha teologia pastoral. A Christian Directory tem lugar de honra em minha biblioteca. Também devo a ele a ênfase no “cristianismo puro e simples”, uma de minhas paixões. Mas a teologia dele era uma mistura intencional de elementos calvinistas, arminianos e católicos. Veja lá minha msg acima. O entendimento que ele tinha das duas doutrinas que citei acima (expiação e justificação) já não o qualificam como calvinista em stricto senso. Aliás, o declínio da doutrina da expiação e da justificação nos circulos evangélicos ingleses passa por R. Baxter. Ele também era um neo-nomista, pois, por causa da teoria da expiação que ele abraçou, não cria no terceiro uso da lei. E, segundo Michael Horton em conversa particular comigo e com Rev. Josafá, Baxter chegou a ensinar que a predestinação se dá pela previsão de fé e obras! Mesmo assim, ele era extremamente respeitado entre os puritanos, pois ser puritano não era sinônimo de ser calvinista. Ser puritano era ter anseio pela purificação da igreja visível, trazendo todos os elementos do culto e da espiritualidade para debaixo do comando das Escrituras. A melhor obra que conheço sobre a teologia de Baxter ainda é a tese de doutorado de J. I. Packer, The Redemption and the Restoration of Man in the Tought of Richard Baxter, que foi publicada pela Regent. Muito dessas informações que compartilho aqui são deste ótimo livro de Packer.
Em resposta, vc comenta sobre os 16 pontos da comissão de 1654. Note que o que a famosa comissão estabeleceu como pontos centrais da fé cristã é bem menos do que vc escreveu anteriormente: “A verdade da Escritura é estreita e a unidade nas coisas não-essenciais dificilmente ultrapassa questões como peculiaridades na ordem dos decretos de Deus, aspectos da inter-relação das Pessoas da Trindade e o método de governo da Igreja.” A comissão afirmou o cristianismo básico, o “Mere Christianity”, o mínimo irredutível da fé cristã. E ao ligar o trabalho de tal comissão a problemas recentes da fé cristã, vc me parece cai em algum anacronismo, indo além do que aquela comissão almejava. Ainda assim, o arminianismo não está excluido dos 16 pontos da comissão. Por que, ainda que os calvinistas do século 16 e 17 entendessem que o arminianismo era um erro, não o consideravam uma heresia (como, por exemplo, vc pode ver nos escritos de William Ames, que esteve no Sínodo de Dort). E há uma grande diferença entre heresia e erro.
Supor que os pentecostais tem sua origem nos quakers é ir além dos que as fontes permitem. O pentecostalismo tem sua origem nos movimentos de santidade nos EUA do século 19, que tem sua origem nos metodistas. E existem diferentes gritantes entre pentecostais e neo-pentecostais, como qualquer bom trabalho de história, sociologia ou teologia poderão apontar. Colocá-los juntos também não me parece certo.
Ao afirmar que aqueles que se encontraram na VINACC não representam suas denominações, quero simplesmente dizer que a VINACC não tem interesse em substituir denominações, se colocar no lugar delas ou falar por elas. Não é um ajuntamento de denominações (eu mesmo não pertenco a nenhuma denominação, sou membro de uma igreja local independente). Mas uma reunião de cristãos individuais com o mesmo fim: evangelizar e tratar de assuntos centrais à fé e à prática cristã. Além do quê, um princípio que se deduz da doutrina da graça comum é que em assuntos comuns podemos praticar a co-beligerância, lutando com outros irmãos e mesmo com não-cristãos em áreas como política, ética etc. Schaeffer foi alguém que elaborou com maestria este ponto.
Gostei da citação de Spurgeon. E concordo com ela. Mas, como vc notou, nem por isso ele deixou de pregar e visitar “aos Quakers e elogiou, mais de uma vez, de púlpito, a John Wesley” (segundo suas próprias palavras). Se vc cita um exemplo, citou outro: George Whitefield. Me parece que a abordagem de Whitefield à cooperação com seus irmãos metodis
Conheço a teologia de Richard Baxter, e vejo que é muito comum avaliá-lo fora do contexto da totalidade de sua obra. Suas afirmações sobre a expiação, onde ele destaca um caráter ilimitado da mesma, não são levadas por ele adiante ao mesmo ponto que os acadêmicos de Saumur usualmente levavam. – a ênfase dele é, dentro de seu sistema teológico, incluindo sua visão sobre a justificação, sempre mais voltada para um combate ao antinominianismo do que para a exaltação do pecador. Coisa que não ocorre no Arminianismo, histórico ou não. O Arminianismo sempre exalta o pecador como agente na escolha do caminho da Salvação; o Baxterianismo exalta a Graça de Deus quando nomeia propriamente que, por sua dívida, o pecador deveria permanecer na prisão. Porém Cristo dá ao pecador uma nova condição de pagamento da dívida, uma condição que provém de Cristo e é oferecida para Deus pelo pecador.
Tudo bem.
Não quero defender Baxter. Ele é heterodoxo. Mas as ênfases e conclusões do seu sistema apontam na direção das conclusões e ênfases calvinistas – a prática de ambos se alinha. Quando nos escritos do próprio Baxter, ao menos. Nem tentaria fazer o que fiz acima se me referisse a obra de qualquer outro Amyraldista ou aparentado… Bom, talvez com Strong. = )
Resumindo, Baxter não era um Calvinista Stricto Senso; nem Strong, nem John Newton. Mas eles eram “Calvinistas o suficiente” para andarem nas bordas seguras de uma discussão sobre a ordem dos decretos de Deus. Mudar a ordem do decreto da expiação (em lugar de mudar o objeto do decreto como fazem os arminianos) cria a posição baxteriana. Quanto ao terceiro uso da lei, bom, Baxter não via a lei da maneira que vemos; contudo se formos ao ponto principal da questão do terceiro uso – a santificação – Baxter era muito mais duro neste assunto do que 98% dos pastores que conheço: Baxter deixa claro no Christian Directory que ninguém poderia se considerar verdadeiramente crente exceto mortificasse todo pecado de sua alma.
Bom, de volta ao assunto principal, concordo que ser puritano não era sinônimo de ser calvinista. Mas era sinônimo de purificação da Igreja na prática e na doutrina! Não há ortopraxia sem ortodoxia, as duas coisas caminham juntas. A Palavra de Deus e a alma humana formam um conjunto perfeito, pois a alma foi criada para que a Palavra habitasse nela. Assim, qualquer distorção na Palavra, qualquer falha na pregação do “inteiro conselho de Deus”, gerará uma falha na alma… é como uma melodia e um instrumento musical. Se há uma nota mal sinalizada na transcrição que alguém faça de uma melodia, o instrumento não poderá executar a música original.
Aquela comissão almejava o que todos Cristão almeja, ao ensinar: falar da Verdade do Evangelho. Como o Evangelho é Eterno, não me sinto anacrônico ao buscar os pressupostos daquela comissão, dentro do que escreveu cada autor, e aplicar as conseqüências desses pressupostos aos atuais inimigos da Fé. Cito novamente Spurgeon: “o que diriam dos Puritanos, cujas obras estão cheias das doutrinas da Graça? Se um homem tivesse sido um Arminiano naqueles dias, teria sido considerado o mais vil herege vivente, mas agora nós somos vistos como hereges, e eles como ortodoxos.” Francis Turrentin, que viveu a época dos puritanos, concordaria feliz com Spurgeon neste ponto.
Quanto a minha comparação dos Quakers com os pentecostais não é quanto a origem. Apesar de poder ligá-los perfeitamente (em outra oportunidade posso te apresentar um profundo estudo que estamos – minha igreja e alguns irmãos presbiterianos da Inglaterra – elaborando a respeito de todas as influências nas origens do pentecostalismo: é um composto de idéias maçônicas, dos quakers, do holiness…)
Quanto aos pentecostais e neo-pentecostais, a diferença é no grau em que eles prosseguem nas conclusões de seus pressupostos. Ambos partem das mesmas premissas, mas os neo-pentecostais, já com a consciência amaciada pela maldição da era pós-cristã, não tem escrúpulos para limitarem as conclusões lógicas a que as doutrinas pentecostais levam.
Quan
Então, Ademir, voltamos ao início de tudo:
O uso que fiz da famosa frase atribuida a Baxter é legítimo: ele tinha em mente não a CFW ou algum sistema confessional mais elaborado, mas o “cristianismo puro e simples”, como se vê em sua prática e também nos pontos mais controversos de sua teologia. Havia em sua elaboração teológica um esforço por unir elementos aparentemente dispares da fé cristã. De qualquer forma, Baxter nos chama a atenção para o fato de que há um elemento central da fé cristã, que forma uma base para servirmos em conjunto com outros cristãos, de outras igrejas ou denominações.
Esta base, ou cristianismo básico, pode ser vista já na prática dos puritanos, como na comissão de 1654. Ali já há uma estrutura teológica simples para aceitarmos cristãos como ortodoxos mesmo que eles não estejam plenamente persuadidos das doutrinas da graça ou de outros pontos mais controversos da dogmática.
Quanto a ligar os quakers com os pentecostais, eu acho um exagero. Como se diz em metodologia da pesquisa, as conclusões não podem exceder as fontes. É a mesma coisa que supor que o bartianismo é parte da tradição reformada. Há diferenças teológicas básicas entre os pentecostais clássicos e o neo-pentecostalismo – que deve ser chamado, mais propriamente, de hiper-pentecostalismo, por ir além do movimento clássico, sendo, na verdade, um neo-gnosticismo. Também não gosto do uso de uma linguagem “dura” contra os pentecostais clássicos. Acho que a linguagem que empregamos contra os heréticos deve ser usada apenas contra os heréticos. Não contra os irmãos na fé. Aliás, esta linguagem “dura” pode até se tornar uma armadilha, uma espécie de “fogo amigo” descaridoso, quando começamos a estudar sobre o que Lloyd-Jones afirmava sobre batismo no Espírito e dons espirituais, Whitefield sobre as comunicações internas do Espírito ou John Knox e a profecia. E quanto à graça comum, permaneço com o que dela aprendo em Agostinho, Calvino e Kuyper – eles foram bíblicos também ai.
Conclusão: ainda que eu almeje por mais bênçãos de Deus, eu me alegro pelo que vejo em movimentos como a VINACC (ao mesmo tempo que lamento o silêncio dos reformados na esfera pública e política), onde se tem a oportunidade, por um lado, de celebrar nossa fé comum, mas (pelo menos de minha parte), por outro lado, afirmar a beleza da tradição a que pertenço. Aliás, me surpreendo com o senso de humor divino; enquanto, aparentemente, muitas igrejas históricas estão abandonando os antigos marcos da fé (que é, precisamente, um dos temas deste post), muitas igrejas pentecostais (e mesmo comunidades carismáticas) tem demonstrado nobreza cristã, abrindo portas para ouvir e aprender da fé reformada. É preciso humildade para admitir isso. E isso precisa ser apoiado, pois devemos respeitar o trato de Deus com seu povo. Até porquê, ninguém se torna calvinista de um dia para o outro. Eu posso dizer: ainda há muito para eu aprender na fé cristã.
Abs
Franklin
Olá Franklin, queria perguntar sobre essa questão de uma certa “virada” da situação que foi mencionada sobre as igrejas pentecostais e reformadas/histórias. Tenho percebido um pouco dessa busca ou interesse pela teologia reformada por parte de igrejas com bases pentecostais. Isso é perceptível numa esfera nacional ou é impressão minha? Como você tem andado por aí, acho que você tem um parecer mais amplo do que o meu.
abraços,
CAIO
Oi, Caio,
Sua percepção está correta. De forma silenciosa e profunda Deus está trabalhando entre Seu povo aqui no Brasil. Para mim, que descobri a fé reformada em meados da década de 1990, quando ser calvinista era ser considerado um pária (ou coisa pior) pelo restante da igreja, fico muito emocionado com o que está acontecendo em nosso país (e é um fenômeno parecido com o que está acontecendo nos EUA).
O mais surpreendente é que este movimento está se tornando um movimento jovem. Aquele movimento teológico chamado “igreja emergente”, criado justamente para alcançar os jovens (mas que aparentemente só fascina gente em crise de meia-idade) não tem a pujança, a força, que a fé reformada está exercendo entre jovens e, especialmente em pessoas dos círculo pentecostal e carismático.
Que não apenas respeitemos o trato de Deus com Seu povo, mas que nos coloquemos numa posição para servir a Seu povo na descoberta das doutrinas da graça. Que nosso comportamento, nossas palavras, nossa postura, não seja empecilho para que aqueles que estão se aproximando da fé reformada descubram a beleza suprema de Deus, o conforto das doutrinas da graça e o estímulo à santidade e a um caminho reto que vem delas.
Abs
Franklin
Olá, Franklin. Pelo visto o senhor não autorizou meus comentários. Na realidade, sei que ninguém gosta de ter um oponente junto aos seus comentaristas, não é? Mas oponente não sou, apenas discordo dessa prática de juntar pentecostal e calvinista, conservador, ou seja outro termo que defina. Fiz comentário sobre um blog daqui do Ceará sobre música e o post foi permitido, mesmo eu discordando completamente da posição dele. Também o meu está aberto para discordância, não foi assim durante todo o período da igreja? Em busca de uma teologia realmente bíblica? Se desejar fazer alguma observação estou aberto a críticas e sugestões. Sem ressentimentos ou raiz de amargura. Mas reafirmo, não concordo em nos ajuntarmos com pentecostais, nem mesmo para uma eventual pregação, uma vez no ano.
pastor victor
grato a Deus por tudo sempre
Victor,
Com todo o respeito, eu deletei seus comentários por serem somente “mais do mesmo” ao não acrescentaram mais nada ao que já foi escrito.
Mas vamos lá então:
1. Se vc tem algum conhecimento da história do pensamento cristão, vc talvez saiba que as doutrinas se desenvolveram e podem ser divididas em três blocos principais: àquelas distintamente cristãs (como se encontram, por exemplo, nos credos de Nicéia, Constantinopla e Calcedônia) e que formam o terreno comum a protestantes, católicos e ortodoxos; as doutrinas evangélicas (comuns a todos os protestantes, inclusive metodistas e mesmo pentecostais); e as doutrinas denominacionais, que distinguem as partes da una igreja, o corpo de Cristo. Eu não respondo pelo que os outros escrevem ou falam. Mas, ao afirmar acima que aqueles que estavam na VINACC não representavam suas denominações, o que quero dizer é que não se enfatiza lá justamente aquilo que fragmenta e divide o povo evangélico. Veja só: em vez de celebrarmos nossa herança comum, cristã e evangélica, muitas vezes usamos os distintivos denominacionais como o modo de batismo, a organização eclesiástica, etc. para nos separar. E, muitas vezes, o uso destes distintivos é feito de forma sectária, supondo que estes são mais importantes que os outros dois. Aliás, isto é cair no erro de supor que o Reino de Deus se limita a uma igreja local ou denominação. Em outras palavras, é cair na suposição católica que uma igreja local ou denominação pode ser igualada ao Reino de Deus. Isso é, entre outras coisa e para dizer pouco, não entender o que é central nas Escrituras, o cristianismo básico, que é MUITO mais importante dos que os distintivos denominacionais. Pode-se errar nestes, mas não naqueles.
2. Seus comentários no geral me lembram da repreensão de Jesus contra os fariseus: “Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!” (Mt 23.24). Em outras palavras, de forma bem típica de muitos daqueles ligados às igrejas conservadoras/fundamentalistas, ataca-se os pentecostais em bloco, sem distinguir as nuanças, sem perceber as mudanças, sem valorizar os elementos comuns. Este tipo de odium theologicum é tão arraigado que não há NENHUM comentário ou palavra sobre um grupo ligado a uma igreja batista desfilando no Carnaval. Francamente? Isso é falta de discernimento cristão.
3. Veja lá: ainda nesta área, não há uma palavra de apreciação, nem uma palavra de ação de graças, pelo que ocorre naquela cidade, pelo testemunho evangélico dado ali. Parece que nada do que foi feito presta. A impressão que me dá é que em certos círculos só é motivo de alguma alegria (se há!) aquilo que aparentemente ocorre somente em seu próprio arraial. Como se Deus se limitasse ou não tivesse povo fora dos estreitos limites de uma denominação supostamente ‘mais pura’. Como se a igreja fosse uma categoria maior que o Reino de Deus. Agora, que alternativa sua igreja está oferecendo? Como vcs tem se mobilizado contra a corrupção, a violência ou as heresias? Aliás, quantas pessoas foram ganhas para Cristo em sua igreja no último ano? Quantas batizadas? Qual impacto objetivo seu grupo exerce sobre a sociedade ao seu redor?
4. Vc ainda escreve: “Não concordo em nos ajuntarmos com pentecostais”. Esta é sua posição. Não espere que eu me paute por ela. Ela ainda me lembra a prática dos fariseus. Estes só tinham interesse em se relacionar com gente supostamente ‘pura’. Desculpe, mas é a imagem que me vem à mente. Por um lado, não há igreja perfeita deste lado do tempo. Todas as igrejas, invariavelmente, tem seus porões. E estes invariavelmente não são bonitos. Por outro lado, se Deus está abrindo portas nos meios pentecostais, se pessoas nestes círculos me dão liberdade para falar do evangelho, é um pecado contra o corpo de Cristo não estender a dextra da comunhão para estes. É agir como sectário, faccioso, divisionista, cismático (cf por exemplo Gl 5.20). E isto é pecado! Já me basta meus pecados.
5. Cooperar com estes irmãos não implica fechar os olhos aos erros e problemas do movimento pen
Franklin,
segue duas postagens sobre a interação entre reformados e pentecostais e se a Bíblia sustenta essa possibilidade:
http://juandepaula.blogspot.com/2007/06/088-princpios-para-relaes-inter.html
http://tempora-mores.blogspot.com/2007/09/carta-um-pastor-pentecostal-que-virou.html
Uma é de minha autoria e outra do Rev. Augustus Nicodemus no desejo de que seja útil aos leitores.
Humildade e sabedoria é fundamental no tempo de tantas vozes. Que Deus dê graça e sabedoria a todos nós, seus servos.
Deus seja louvado.
Referente a notícia acima, louvo a Deus pela vida de “grandes” Homens de Deus com o Pr.Franklin que numa visão tão abrangente e aberta para o reino de Deus procura estar ao lado da verdade.
A igreja necessita de mais teólogos que realmente esteja disposto a fazer o querer de Deus pela forma correta, bíblica e cristocentrica.
Pr. Gilmar Dias
AD-Belém SJC/SP
Olá, Querido Flanklin
estou sentindo falta do esboço das palestras feitas no XI Encontro para Consciência Cristã em Campina Grande, especialmente a que diz respeito à Ética e Espiritualidade,
Um abraço,
Pr. Jeremias.
Oi, irmão Jeremias,
Na outra semana postarei o arquivo em Power Point das duas paletras.
Abs
Franklin
Grande Franklin,
Como vai? Está lembrado de mim? Um dos presbiterianos saduceus que lhe levou para o hotel no sábado à noite? eheheheh
Fiquei muito feliz pela sua postagem em relação ao nosso encontro da VINAC e espero que você esteja conosco em outras oportunidades.
Foi muito bem lhe conhecer!
Um grande Abraço e fica com Deus!
Davy Jones
A paz do Senhor, meu querido Franklin
Li sua conversa com o Ademir e outros.
Alegro-me porque o sr. está nos ajudando a erquer essa bandeira, iniciativa de homens comprometidos com a verdade do Evangelho na cidade de Campina Grande-PB. Sabemos da dificuldade que se tem, hoje, para viver e defender a fé cristã. Mas continuaremos firmes nesse propósito da Visão Nacional Para a Consciência Cristã – VINACC, entidade sem fins lucrativos ou políticos, que promove durante o período do carnaval o maior evento apologético da América Latina: Encontro Para a Consciência Cristã, tendo como objetivos principais: Proclamar o evangelho; Engrandecer a pessoa de Jesus Cristo; Defender a fé cristã, edificar a igreja; e proporcionar ao povo uma reflexão social, filosófica, bíblica e teológica diante das grandes questões que desafiam e amedrontam a humanidade neste terceiro milênio.
Louvo a Deus por sua vida, querido. Continue firme nessa visão cristocêntrica. O senhor nos conheceu assim como o evento e sua proposta e sabe que o intuito da VINACC é tão-somente engrandecer o nome do Senhor Jesus Cristo, torná-lo conhecido e edificar a sua igreja aqui na terra.
Que Deus o abençoe
Pastor e jornalista Gomes Silva
Um dos fundadores do Encontro Para a Consciência Cristã
Meu caro Franklin
A paz do Senhor
Não consegui encontrar o arquivo em Power Point das duas paletras ministradas no Encontro Para a Consciência Cristã…
Abraço
Gomes Silva
VINACC