O Cristão Como Embaixador de Cristo

Leonardo Sahium

“De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, Como se Deus exortasse por nosso intermédio”. (2Co 5.20)

Poucas vezes vi o cristão ser chamado de embaixador de Cristo. Mas se pensarmos muito bem acerca da vida cristã perceberemos a importância da compreensão desta perspectiva relacional. Ser embaixador em um ambiente propício e hospitaleiro é muito agradável. O embaixador representa o seu País e assim deve se portar com elegância e discrição. As palavras de um embaixador expressam exatamente aquilo que seu País o enviou para dizer, ele nunca fala algo sem o cuidado de ver se o que diz corresponde exatamente ao que seu governante deseja. Fora desta área de conforto existe outro ambiente, mais hostil e desafiador. O embaixador de Cristo irá encontrar em sua jornada pessoas de todos os tipos. É comum encontrar pessoas que culpam os outros pelos seus fracassos e dificuldades. Muitas vezes, estas pessoas culpam Deus por todas as coisas ruins em sua vida, esquecendo-se de que na maioria das vezes o homem cai no buraco que ele mesmo cavou. Para estes o embaixador deve levar a mensagem da importância de se assumir as próprias responsabilidades.

É como conhecer pessoas que repetem os mesmos erros, quase de maneira crônica, e não são raras as vezes que espiritualizam a motivação destes erros, e assim, o sobrenatural torna-se uma poderosa e eficaz válvula de escape de suas responsabilidades. O embaixador deve nestes casos ensinar o limite entre aquilo que é espiritual e aquilo que é carnal. Este era exatamente a dificuldade contextual em Corinto na época do apóstolo Paulo.

Por outro lado, o cristão que leva o evangelho a outras pessoas, encontra aqueles que esperam não errar jamais. Os perfeccionistas do reino são os pais de um legalismo que distancia e humilha o outro. Para estes Deus é um modelo ético que pode ser seguido dentro da observância de rígidas normas morais. Para estes o embaixador é um exemplo de postura externa, ao invés de ser uma disposição amorosa e interior de servir. Neste caso o desafio para o embaixador é ensinar que a mensagem de Deus está repleta da misericórdia e da noção de que fracassar é próprio do progresso, principalmente daqueles que aprendem com seus erros.

Alguns acham que irão errar sempre, e que por isso não vale a pena continuar na fé cristã. A baixa estima já tomou conta destes corações, cansados de tanto enfrentar as dificuldades desta vida terrena. Nestes casos, o embaixador cristão deve levar uma mensagem positiva, que faça com que este cristão sofredor abra seu coração para a esperança de que dias melhores virão.

Outras pessoas influenciadas pela mídia, pelas inclinações da carne e pelo mundo, entregaram suas vidas à libertinagem. Os erros são tão comuns e tão volumosos que o mais fácil é, na visão destes, aceitá-los e conviver com eles. Dentro de uma filosofia hedonista, o prazer tem a última palavra e assim, assumem uma vida longe dos valores cristãos. Cristo é apenas uma pessoa boa que viveu há muitos anos atrás, um pensador como qualquer outro grande pensador da história. Para estes o embaixador cristão deve levar a mensagem de salvação e vida nova com Cristo.

Dentro do universo religioso, existem também aqueles que aceitam as tradições cegamente. Não estão abertos para nada novo, seja na liturgia do culto, ou na liturgia de suas próprias vidas. Sendo assim, não se abrem para fazer missões e se trancam dentro de um universo eclesiástico tenebroso e improdutivo. Neste caso, o embaixador de Cristo tem a responsabilidade de questionar a missão deles perante o mundo e a sociedade, levando-os a perceber que a mensagem de Jesus Cristo não é de isolamento, mas de envolvimento e transformação.

Limitar-se pelos erros passados é muito comum. Admitir que errou e estagnar sua vida nestes erros, são práticas corriqueiras que aglutinam um grande número de cristãos. Eles estão machucados por dentro e por fora. Dentro sentem insegurança, vergonha, baixa estima e a vontade de não sentir. Para fora sentem magos, ressentimentos e refletem a imagem da incompreensão. Nestes casos, o embaixador cristão deve levar a palavra do perdão e da perseverança.

Para cada caso, mesmo descritos de maneira superficial como o vimos aqui, existe uma atitude que deve ser tomada, uma palavra que deve ser dita, um sentimento que deve ser compartilhado. O importante é perceber que é fundamental relacionar-se. Maxwell fala sobre a importância de se relacionar bem, ele diz:

Se ainda não aprendeu a lidar com as pessoas, então estará sempre travando uma batalha para ser bem-sucedido. Porém, se fizer das habilidades interpessoais uma força, isto o levará mais longe que qualquer outra habilidade que você possa desenvolver. As pessoas gostam de fazer negócios com pessoas de quem elas gostam. Ou então, colocando as coisas como o presidente Theodore Roosevelt fez, “o ingrediente mais importante da fórmula do sucesso é saber como se dar bem com as pessoas” [John Maxwell, Dando a Volta por Cima (São Paulo: Mundo Cristão, 2001), p.180].

Estes relacionamentos produtivos devem ser pautados na verdade de Deus. Neste sentido só existe uma palavra para resumir esta motivação, integridade. O apóstolo Paulo enfrentou grande oposição ao seu ministério. Críticas de todos os lados permeavam sua vida ministerial, mas ele continuava sua jornada sem se deixar abater pelas críticas, pelo contrário, quanto mais o perseguiam, mais força ele sentia. É certo que uma vez, no início de seu ministério, Paulo sentiu um desespero por causa de perseguição (2 Co 1.8,9), naquela circunstância foi ensinado por Deus a não confiar em si mesmo, mas descansar no poder e no cuidado de Deus.

Mesmo enfrentado tamanha oposição, o apóstolo Paulo continuava pregando o evangelho. Nada abalava a disposição deste servo do Senhor em levar as boas novas de salvação a todos os cantos da terra. Nenhuma dificuldade era grande o bastante para fazer este embaixador desistir de seu ministério. Parcker comenta:

A soberania de Deus em graça enchia Paulo de esperança de sucesso, quando ele pregava a ouvidos surdos, apresentava a Cristo diante de olhos cegos e buscava tocar corações de pedra. A sua confiança estava em que para onde quer que Cristo envie seu evangelho, ali Cristo tem o seu povo – que no presente estão firmemente atados pelas amarras do pecado, mas com direito de libertação no Momento indicado, por meio da poderosa renovação dos seus corações, quando a luz do evangelho brilhar dentro da sua escuridão, e o Salvador os conduzir de volta para si [J. I. Packer, A evangelização e a soberania de Deus (Cultura Cristã, 2002), p.104-105].

Quando Deus nos chama, pela graça, para um relacionamento duradouro e profícuo com Ele e com o nosso próximo, somos conduzidos invariavelmente a integridade. O embaixador de Cristo deve lutar para ter uma vida íntegra, para que a mensagem de Jesus Cristo não seja maculada em sua vida. A mensagem da cruz de Cristo deve conduzir a comunidade cristã a uma reflexão sincera e profunda, sobre a importância de nosso chamado para uma vida como embaixadores de Cristo.

Um Comentário para “O Cristão Como Embaixador de Cristo”

  1. Marcos Aurélio Melo 22 Julho 2009 às 20:08 #

    Excelente texto, que profundidade e realismo!
    Parabéns.


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