Viagem à África: Moçambique e Zâmbia – um breve relato.

Caríssimos irmãos:

O texto que segue, é um entusiasmado testemunho preparado pelo Rev. Jaime Marcelino de Jesus, pastor da Igreja Presbiteriana Cidade Nova, em Manaus (AM) e coordenador do Encontro da Fé Reformada, em Manaus. No texto que segue, Pr. Jaime compartilha conosco um pouco sobre sua recente viagem à África, ocasião em que serviu como preletor da 10ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes em Moçambique e em que visitou a Igreja Batista Kabwata, pastoreada por Pr. Conrad Mbewe, na cidade de Lusaka, na Zâmbia.

Tiago Santos


Viagem à África: Moçambique e Zâmbia – um breve relato.

Pr. Jaime Marcelino de Jesus

Pr. Jaime Marcelino de Jesus

Antes de tudo sou grato ao Senhor por esta inesquecível viagem à África, que teve seu início com a minha saída de Manaus, na quinta-feira dia 04 de junho de 2009. A partir de São Paulo, acompanhado do estimado irmão, Edvânio Silva, da Editora FIEL, chegamos à Johannesburg na manhã do dia 06 de junho. De Johannesburg, partimos para Moçambique, tendo chegado à Capital Maputo por volta do meio dia daquele sábado, sendo muito bem recebidos pelo querido Pr. Karl Peterson, que estava acompanhado dos seus exemplares filhos Cole e Elsa Peterson.

Depois de sermos alojados na Missão Koynonia, a qual hospeda os missionários que lá chegam, tivemos a primeira experiência com a culinária moçambicana, ao comermos um delicioso peixe num dos restaurantes à beira mar de Maputo. À noite visitamos a família do missionário brasileiro Marcos Augusto, que é um dos líderes da ABEMO (Aliança Bíblica Estudantil de Moçambique), e, ainda que estivéssemos muitos cansados da longa viagem, tivemos um tempo muito agradável de comunhão.

No domingo fomos à igreja do Pr. Patrick Mulenga, um irmão procedente da Zâmbia, cuja família nos recebeu com toda cortesia possível, após o abençoado culto que prestamos ao Senhor. Quanto ao culto, tive uma nova experiência – preguei a palavra do Senhor para uma congregação cujo dialeto é o “Xangani”. Para isso contei com a ajuda de um jovem de 25 anos chamado Paulo Naene, que me traduziu com muita propriedade. Quão impressionado fiquei com a habilidade daquele moço, e com seu jeito humilde e cordial. Creio que todos nós fomos enriquecidos com a palavra do Senhor naquela maravilhosa manhã.

Já na segunda-feira, depois de um breve descanso, fomos para o aeroporto de Maputo a fim viajarmos para Nampula, onde participaríamos, no dia seguinte, da 10ª Conferência FIEL de Moçambique. Então, chegamos à Nampula, e fomos direto para a residência do missionário Dr. Charles Woodrow, onde fomos mui bem recebidos, e servidos com uma deliciosa refeição. Lá também tivemos uma breve reunião, quando o Dr. Charles deu-nos todas as instruções necessárias para o bom andamento da Conferência, bem como para a nossa estadia em sua casa.

Chegou o dia tão esperado, a terça-feira 09 de junho, quando oficialmente iniciou-se a 10ª Conferência FIEL em Nampula-Moçambique, com o propósito de abordar o tema “A Família Cristã”. Durante a Conferência foram pregadas 11 mensagens ao todo – 5 delas pregadas pelo Dr. Wayne Mack e 6 por mim, uma vez que me coube o privilégio de ser o primeiro a pregar, por falar a língua dos moçambicanos, o português. Confesso que fiquei impressionado com o vigor do Dr. Mack, pois apesar da sua avançada idade (quase 80 anos), cumpriu seu programa de maneira graciosa, falando aos nossos corações do princípio ao fim – Ele expôs as Escrituras, extraindo delas princípios normativos para o homem e sua esposa, especialmente à luz da relação de nosso Senhor Jesus Cristo com Sua igreja.

Quanto à minha participação, expus o que segue:

1) “A Graça do Senhor e as Famílias”, à luz do que o Senhor prometeu dar ao povo que estava desviado, a saber, o Profeta Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e os corações dos filhos aos pais;

2) “O Casal como Modelo aos Filhos nas Relações Pessoais Domésticas”, segundo Gênesis 2: 24;

3) “O Casal: Modelo aos Filhos no Temor aos Pais e a Deus” (Lv 19: 1-3);

4) “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24: 14,15);

5) “A Doutrina do Perdão Aplicada a Todos” (Mt 18: 21-35);

6) “O Temor do Senhor e a Santidade no Lar” (Salmos 128).

Depois da Conferência, permaneci em Nampula a fim de lecionar no Seminário pós-conferência, organizado por Dr. Woodrow (que também leciona) e oferecido para pastores que ficam após a semana da conferência; foram duas opções de matérias: “Teologia Sistemática”, com o Dr. Charles e “Igrejas e Ministros Segundo a Ótica Apostólica”, sob a minha responsabilidade. Que momentos preciosos eu tive com os 22 participantes do meu Seminário! Quanta sede de aprender as verdades bíblicas havia naquelas pessoas presentes! Quanta disposição para enfrentar as dificuldades provenientes da falta de instruções mais específicas, especialmente na esfera da pregação! Afinal, a maioria deles parece ter ouvido, pela primeira vez, as coisas mais elementares relacionadas com a preparação da pregação expositiva. Mas graças ao Senhor que, no final do Seminário, cada um deles saiu com seus próprios esboços, preparados por eles mesmos, ao longo das 24 horas aula/treinamento/avaliação, aplicadas de sábado a quarta-feira (13/06 a 17/06), excetuando o domingo, Dia do Senhor.

Registro aqui as minhas mais positivas impressões daqueles dias de Conferência, cuja coordenação coube aos dois preciosos irmãos já mencionados: Pr. Karl Peterson e o Dr. Charles Woodrow. Ora, sendo eu o coordenador do “Encontro da Fé Reformada”, em Manaus, posso imaginar o quanto aqueles irmãos se desdobraram para que a 10ª Conferência ocorresse naqueles dias. Afinal, lidar com cerca de 320 pessoas oriundas de vários lugares, desde a divulgação do evento, passando pelos contatos com os pregadores, até a logística, que incluiu a preparação e distribuição de refeições, não é nada fácil. Por isso, houve muito trabalho, muita dedicação e muito empenho, da parte dos irmãos envolvidos na organização. Mas também é certo que o resultado do trabalho de todos é motivo de grande alegria, como está escrito: “Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes”. Não é mesmo maravilhoso perceber que o Senhor tem semeado a sua Sã Doutrina em Moçambique, através das Conferências realizadas até agora? E que bom é saber que os pastores que participam das Conferências estão se empenhando para que o que eles têm aprendido seja compartilhado com muitos outros, ainda que na sua simplicidade!

Também registro aqui a amabilidade da família Woodrow, em cuja casa fiquei hospedado durante os dias da Conferência e do Seminário, e onde fui tratado de modo admiravelmente bem. Louvo, pois, ao Senhor por todos os membros dessa família, do menor ao maior, pois lhes sou devedor em muitas coisas.

A seguir, tendo partido de Nampula na noite do dia 17 de junho, cheguei a Maputo, onde fui gentilmente recebido pelo Pr. Karl Peterson (este só ficou em Nampula até o término da Conferência). No dia seguinte, deixamos Maputo, e, de carro rumamos para Barberton, cidade da África do Sul, próxima da fronteira com Moçambique, onde vive o Pr. Karl Peterson e sua família. De caminho, como já planejado passamos pelo famoso Parque Nacional Kruger, onde permanecemos mais de cinco horas fazendo um verdadeiro safári africano, observando vários dos animais selvagens que residem livremente naquela imensa reserva florestal. Na casa de Karl, mais uma vez fui recebido de modo maravilhoso; desta feita estive junto da numerosa família Peterson, cujo calor humano é contagiante. Que boas lembranças eu tenho guardadas em meu coração daquela família!

No dia seguinte, segui sozinho para Johannesburg, numa viagem de cerca de 5 horas, onde deveria pegar um avião a fim de ir para o próximo destino – Lusaka, Capital da Zâmbia.

Em Lusaka fui recebido pelo Pr. Conrad Mbewe e sua digníssima esposa, Sra. Felistas Mbewe. Que grande alegria experimentamos a partir daquele momento! E quanto da nossa conversa foi traduzida pela linguagem do amor (Não sei falar inglês, embora o Pr. Conrad me entenda razoavelmente bem)!

Assim como aconteceu com Moçambique, a expectativa de conhecer a Zâmbia era grande! Mas, finalmente lá estava eu, num país cuja fala oficial é o inglês, sendo assessorado (pasmem!) por alguém que não conhece a língua portuguesa, o Pr. Conrad. No entanto, que gracioso jantar foi-me oferecido por um dos presbíteros da Kabwata Baptist Church, com a presença dos demais presbíteros com as esposas, do casal Mbewe e eu. Oh! Como lamentei pela ausência da minha querida esposa, a delícia dos meus olhos, naquela memorável noite! A conversa decorreu de tudo – desde aspectos relacionados com a situação sócio-política e econômica do Brasil até brincadeiras saudáveis e agradáveis!

Finalmente, chegou o Dia do Senhor! A expectativa de conhecer os irmãos da Kabwata Baptist Church era grande; bem como o enorme desejo de cumprir a agenda de pregar pela manhã e pela “noite”. Quando demos início ao Culto ao Senhor, lá estava eu cantando em português alguns cânticos conhecidos e tentando acompanhar outros tantos que para mim eram inéditos. Oh! Que igreja bonita é a Kabwata Baptist Church, principalmente na parte da manhã, quando o edifício fica lotado (vários visitantes se fazem presentes, segundo fui informado) – Quanta amabilidade de muitos daqueles irmãos! E como eles louvam ao Senhor com fervor contagiante!

Mas, então, aconteceu algo inesperado! A pessoa que foi contatada para traduzir as minhas mensagens impressionantemente falhou em não comparecer conforme havia sido agendado (No sábado eu conversei pessoalmente com o tradutor e, inclusive, dei-lhe meus apontamentos que deveriam usar na pregação da manhã). Confesso que ainda não tinha visto o Pr. Conrad preocupado como naquele momento. Então, como não se podia ter outra pessoa para traduzir-me, providencialmente um diácono pregou acerca do encontro do Senhor com Zaqueu e, surpreendeu a todos com uma bela e empolgante mensagem.

Quanto a mim, confesso minha frustração por não ter podido fazer o que anteriormente estava programado, ainda que tenha admirado a pregação daquele querido irmão diácono. Mas o que fazer se a Providência agiu diferentemente? Oh! Senhor, o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos Teus lábios. Aquieta, pois, o meu coração, e que eu descanse com alegria na Tua soberania! Amém!

Após nosso almoço, já por volta das 15h, o Pr. Conrad falou – “Pr Jaime, o seu novo tradutor acabou de chegar! Vamos lá falar com ele!”. Era um angolano, professor universitário que leciona francês e português. Alguém de uma aparência bastante frágil, mas que se interessou em sentar-se comigo, a fim de interagirmos para que eu pregasse no período da “noite” (Depois fiquei sabendo que os cultos vespertinos começam às 16h00). Assim, preguei graciosamente sobre perdão (Mt 18: 21-35) deixando todos, inclusive o pregador, impactados com o nosso sublime dever de estarmos dispostos a sempre perdoar aos nossos devedores.

Por último, tendo preparado minhas malas já tarde da noite (deitei-me próximo da meia noite) depois de acertarmos de sair para o aeroporto de Lusaka às 05h00 da manhã, viajamos eu e o Pr. Conrad (ele haveria de participar de uma reunião em Johannesburg), no mesmo vôo da SAA, razão pela qual ele me prestou grande ajuda, ao me conduzir até o ponto da imigração. Nós nos despedimos e eu sai de Johannesburg às 10h40 com destino a São Paulo e, em seguida, Manaus. Sem dúvida alguma, foram 18 abençoados dias de viagem, os quais me trouxeram novas experiências, novos amigos, novos horizontes, mas, sobretudo, a certeza de que o Senhor é bom e Sua misericórdia alcançou muito mais pessoas neste mundo vil do que podemos imaginar.

Cheguei cansado em casa, após quase 24h de viagem, mas feliz e cônscio no Senhor do dever cumprido. Sou grato ao Senhor que me concedeu essa abençoada viagem, depois de eu tê-la esperado desde 1992, quando começou minha expectativa de conhecer o imenso continente africano. Também sou grato à minha família que alegremente empenhou-se por ver-me nessa missão, ainda que custasse muito sacrifício à minha querida esposa, bem como às nossas queridas filhinhas Elisama e Noeme. Além disso, agradeço aos irmãos da FIEL pela confiança em me escolher para pregar aos moçambicanos. Eu rogo ao Senhor para que continue a abençoar esse belo projeto que é a Conferência em Moçambique, e para que este país brevemente seja saturado pela “Sã Doutrina”.

Ao Senhor toda a glória!
Algumas fotos:

Viagem à África: Moçambique e Zâmbia Viagem à África: Moçambique e Zâmbia
Viagem à África: Moçambique e Zâmbia Viagem à África: Moçambique e Zâmbia
Viagem à África: Moçambique e Zâmbia Viagem à África: Moçambique e Zâmbia
Clique na imagem para ampliá-la.

2 Comentários para “Viagem à África: Moçambique e Zâmbia – um breve relato.”

  1. Ruy 3 Agosto 2009 às 14:21 #

    Obrigado, irmãos, por este tocante relato. Que bom saber que a Sã Doutrina da Palavra de Deus está alcançando os mais longínquos rincões do mundo. Que desafio tremendo temos de nos comprometermos em oração pelo povo de Deus em todos os lugares, especialmente depois de ler um relatório como este. Parabéns ao Pr. Ricardo Denham pelo trabalho que a Editora Fiel tem feito. Deus abençoe os irmãos. Ruy (SP).

  2. WAGNER DE OLIVEIRA LIMA 7 Agosto 2009 às 19:15 #

    É muito importante êsses congressos,pois além de edificar os coações, ainda aprendemos muito da Palavra de Deus,e com uma bagagem enorma de conhecimentos podemos usar para ajudar o próximo na caminhada a Cristo.

    Visite meus 4 blogs:
    MENSAGEIRO DE CRISTO/BESTBRASILCHIC/MIDIA/FAMILIA.COM -ÊSSE ÚLTIMO TEM O CARÁTER DE INFORMAR MINHAS PALESTRAS NUMA INSTITUIÇÃO EM NOSSA CIDADE,LEVANDO A PALAVRA DE dEUS JUNTO COM PALESTRAS DIRECIONADA À VIDA SOCIAL E FAMILIAR.


Deixe seu Comentário

1. Reservamos o direito de não publicar críticas negativas de "anônimos". Quer criticar e ter a sua opinião publicada? Identifique-se por seu e-mail e pela URL de seu blog ou home page.

2. Os comentários serão aprovados segundo nossos critérios. Este espaço visa à edificação e, em muitos casos, à instrução. Somente publicaremos os comentários que atendam tais propósitos.

3. Discordar não é problema. Na maioria das vezes pode redundar em edificação e aprendizado. Contudo, faça-o com educação. Não toleraremos palavreado torpe, ofensivo e inconveniente.

4. Ofereça seu ponto de vista, mas atenha-se ao conteúdo do texto ­ aqui não há espaço para personalismos ou críticas ad hominem.