Pouco Tempo E Grande Profundidade
Pr. Clodoaldo Machado
O tempo de conversão deveria corresponder à maturidade espiritual. Verdade é que isto não acontece em muitos casos. O que vemos são muitos crentes, mesmo tendo vários anos de conversão, agindo de forma imatura. Também vemos o contrário, crentes com pouco tempo de conversão demonstrando maturidade sobremodo elevada.
A Bíblia nos mostra este fato, e talvez o exemplo mais marcante seja o do ladrão na cruz. Lucas 23.39-42 conta-nos que um dos ladrões que foram crucificados com Jesus blasfemava contra ele dizendo que se ele era o Cristo devia salvar-se a si mesmo e também a eles. O outro ladrão o repreendeu e deu um impressionante testemunho de conversão.
Somos tentados a pensar que este ladrão era bonzinho comparado ao outro que era mau. Achamos que a diferença entre os dois era algo que ambos já nutriam durante suas vidas. Um era mau e o outro não era tão mau assim, por isso na cruz um blasfemou e o outro demonstrou crer em Jesus.
A Bíblia, porém não nos permite este pensamento. Mateus 27.39-44 fala-nos que as pessoas que passavam por Jesus na hora da crucificação blasfemavam contra ele. Também os principais sacerdotes e escribas escarneciam de Jesus. O versículo 44 diz que os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele. Marcos 15.32 diz que os que com ele foram crucificados o insultavam. Portanto ambos os ladrões eram iguais. Um não era melhor do que o outro como somos tentados a pensar. Ambos eram maus.
Durante aquelas poucas horas da crucificação um deles foi transformado pela graça de Deus e passou a agir de forma diferente. Lucas nos fala com clareza sobre como aquele ladrão mudou.
A primeira atitude dele foi defender seu Salvador. Ele não aceitou que seu companheiro de cruz continuasse ofendendo a Jesus daquela forma e o repreendeu: Nem ao menos temes a Deus estando sob igual sentença? (v.40) O verdadeiro servo de Deus defende os interesses de Deus. Davi enfrentou Golias porque estava defendendo os interesses do Deus de Israel.
A segunda atitude dele foi demonstrar o conceito de justiça de Deus. Ele reconheceu que estava sendo crucificado porque merecera isto. Muitos quando estão em situações desagradáveis acham injusto que algo esteja acontecendo com elas. Perguntam o que fizeram para merecer aquilo. Aquele homem na cruz disse: Nós na verdade com justiça recebemos o castigo que os nossos atos merecem. (v.41) Estar pregado na cruz era uma situação dolorosa e vergonhosa, porém ele reconheceu que merecia aquilo. Quando alguém reconhece seu pecado sabe que tudo o que vier a acontecer com ele não pode ser injusto, visto ser ele um pecador que ofendeu a Deus.
A terceira atitude dele foi reconhecer que Jesus é inculpável. No mesmo verso 41 ele disse que Jesus não tinha feito mal algum. Momentos antes ele estava blasfemando e insultando Jesus, mas agora ele está defendendo a santidade, a pureza e a inculpabilidade de Jesus. Ele reconheceu: Eu sou pecador, Jesus é Santo.
A quarta atitude dele foi reconhecer o Senhorio de Jesus. Ele pediu humildemente a Jesus: Lembra-te de mim quando vieres no teu reino. (v.42) Ele não pediu que Jesus o tirasse daquela cruz, não pediu que Jesus o livrasse da dor que estava sentindo ou da vergonha pela qual estava passando. Somente pediu que Jesus lembrasse-se dele quando viesse em Seu reino. Muitos não querem que Jesus reine sobre suas vidas, orgulhosamente querem exercer o controle. Ele não somente reconheceu que Jesus é rei como humildemente pediu que Ele se lembrasse dele. Ele reconheceu algo que aquela multidão não havia reconhecido e que por isso estava crucificando Jesus: Ele é Rei, tem um reino e virá reinar neste mundo.
Jesus certamente surpreendeu aquele homem em sua resposta. Ele havia pedido algo para o futuro e Jesus lhe disse: Hoje estarás comigo no paraíso. (v.43) Antes de Jesus voltar para reinar ele estaria aguardando este grande dia no paraíso. Jesus deixou claro que aquele homem se tornara um verdadeiro servo Seu, e que toda a mudança demonstrada naquelas poucas horas foram verdadeiras e profundas. Aquele homem foi crente aqui neste mundo somente por aqueles instantes, mas sua vida espiritual foi extremamente profunda. Sua vida cristã neste mundo teve pouco tempo e grande profundidade.
5 Comentários para “Pouco Tempo E Grande Profundidade”
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Pr.Clodoaldo
Dífícil não gostar de um texto como este, a propósito, tudo que o irmão escreve nesse blog … vamos chamar assim:”é de pouco tempo e grande profundidade”.
Gostaria de saber se o pastor tem um blog próprio ou site, seria bom ler textos deste quilate com mais frequência?
Com seus conhecimento vou compartilhar o artigo(citando o autor e blog) em nosso blog para um maior número de visitantes ter acesso a ele.
Parabéns pastor Clodoaldo
Olá Pastor!
Muito obrigado por este texto!
Este é um assunto que tenho muito interesse visto que hoje as pessoas quando entram em uma igreja e levantam a mão ou demonstram algum tipo de simpatia ao ambiente do culto atual já são taxadas e/ou consideram-se evangélicas. Que quero dizer com isso é que hoje não se tem uma preocupação ideal com a verdadeira conversão, com o novo nascimento, e o pior, com prejuizo de milhares de vidas que se enganam achando que estão indo para o céu, quando estão indo para o inferno.
Ficarei muito grato se me indicar algum material para estudo sobre: Decisão, Conversão (Arrependimento e fé salvifica), Novo Nascimento e Santificação. Preciso saber como distinguir as fases (se é que pode ser assim chamado), e quando ocorrem e como ocorrem.
O novo nascimento é algo que vem de Deus, isso eu sei, mas quando ocorre, isso pode levar uma vida inteira? É um processo? Eu sei que a partir do novo nascimento a natureza espiritual da pessoa muda e o andar nos caminhos do Senhor passa a ser algo natural ao invés de sofrido (Falo na questão da luta interna contra a carne).
Por favor se puder me ajudar agradeço muito!
A paz do Senhor Jesus!
Marcos Reis
Rev. Clodoaldo
No último domingo, durante a EBD, tivemos uma aula com o título "Os últimos e os primeiros", na qual o presbítero explanou sobre a salvação tanto de pessoas que servem ao Senhor por toda vida e aqueles que sofrem a vida inteira sem desfrutar dos benefícios do reino já aqui, mas reconhecem Jesus como Senhor e Salvador nos últimos instantes. Em termos da Doutrina da Salvação, ambos terão o mesmo privilégio da Vida Eterna ao lado do Senhor. No caso de pessoas que se arrependem em seu leito de morte, foi citado o ladrão da cruz. O seu texto explora muito bem sobre esta linda passagem, vou compartilhar com alguns irmãos. Realmente, devemos vigiar para termos uma vida de retidão, conforme a Palavra de Deus, que reflita a glória do Senhor. Senão, do contrário, teremos uma vida inteira dentro da igreja, mas fora da verdade… sem entender o propósito final do homem… glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre.
Parabéns pelo texto!
Que Deus continue usando-o como instrumento em Suas mãos para abençoar outras vidas!
Abraços,
Carol
IPB Poá-SP
Artigo muito próprio para os dias em que vivemos. Muito de nós pensamos neste texto somente aplicado a pessoas não salvas, e o irmão foi usado a nos mostrar a maturidade demonstrada pelo ladrão na cruz
Muito bom este texto. Estou tentado a utilizá-lo num estudo para a congregação no culto de 5ª feira.
Seminarista Wanderley Lima
Espirito Santo – Brasil
http://caferacional.blogspot.com/