Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu?
Ou são maus os teus olhos porque sou bom? (Mt.20.15)
Neste texto Jesus está contando uma parábola a respeito do reino dos céus. A expressão reino dos céus aqui, fala do padrão de justiça do reino do Senhor Jesus. Em outras palavras, a parábola mostra o que é justo aos olhos de Jesus e ao mesmo tempo mostra como o homem tem outro padrão de justiça.
A parábola diz que o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu para contratar trabalhadores para sua vinha. Isto era comum naqueles dias em época de colheita. Ele passou o dia trazendo homens para o trabalho, de forma que os trabalhadores chegaram em horários diferentes. Quando terminou o dia, o dono da vinha foi fazer o pagamento daquelas pessoas. Mandou que seu administrador começasse pelos que chegaram por último. Ele então pagou um denário para aqueles que chegaram na hora undécima (cinco da tarde no nosso horário). Assim ele fez até que chegou a vez daqueles que chegaram primeiro, e receberam também um denário. Estes começaram a murmurar, pois pensavam que tinham direito a receber mais por terem chegado mais cedo (de fato trabalharam onze horas a mais do que aqueles que chegaram por último). Eles, porém não se lembraram que quando foram contratados o dono da vinha havia acertado com eles que receberiam um denário pelo dia trabalhado. Assim não era injusto o que eles estavam recebendo.
Esta parábola nos ensina algo muito interessante. Ela mostra como achamos que estamos sendo injustiçados quando nos comparamos com outras pessoas ao nosso redor. Se somente houvesse aqueles homens que chegaram primeiro na vinha, eles receberiam seu dinheiro e ficariam satisfeitos. Porém, o fato de haver alguns que chegaram mais tarde, recebendo o mesmo valor, deu a eles a possibilidade de fazer uma comparação, e isso lhes fez muito mal.
Isto mostra que nosso padrão de justiça está baseado nas comparações que fazemos com outras pessoas. Olhamos para o lado, analisamos o que acontece na vida dos outros e então concluímos que somos injustiçados. Achamos que, porque as outras pessoas têm bens, têm uma situação diferente da nossa, também temos que ter. Muito da insatisfação dos servos de Deus se dá pelas comparações que fazem com outras pessoas. Se não houvesse pessoas para nos compararmos com elas, talvez não pensássemos assim, não murmuraríamos e não reclamaríamos de nossas vidas.
Esta parábola também aborda o fato de não nos alegrarmos com o que Deus faz a outros. Os trabalhadores que haviam chegado primeiro não se alegraram com o fato de aqueles que chegaram por último estarem recebendo o mesmo que eles. Olhando para si mesmos, achando-se merecedores de mais, esqueceram-se do trato que o dono da vinha havia feito com eles e começaram a murmurar (v.11). Eles não se alegraram ao saber que aqueles trabalhadores, que haviam esperado até as cinco da tarde por um trabalho, finalmente conseguiram e poderiam agora suprir suas necessidades e de suas famílias. Pensando somente em si, eles se sentiram injustiçados.
Esta é uma triste realidade. Há crentes que não se alegram quando Deus age bondosamente na vida de outros. Eles nem sempre demonstram, mas internamente sofrem ao ver que alguns irmãos receberam algo bom de Deus. A pergunta que o dono da vinha fez para aqueles invejosos trabalhadores ainda cabe em muitas situações: “Ou são maus os teus olhos porque sou bom?” É um mandamento bíblico alegrar-se com os que se alegram (Rm 12.15) e, como sempre, aquilo que Deus nos manda fazer é porque Ele nos conhece perfeitamente e sabe que temos a tendência de fazer o contrário. Devemos lutar contra a tendência de sofrer ao saber que alguém recebeu uma boa dádiva de nosso Senhor. Nosso egoísmo é que nos leva achar que estamos sendo injustiçados. Pensar somente em nós mesmos nos leva à inveja e ao sofrimento pelas coisas boas que nossos irmãos recebem de nosso bondoso Pai celestial.
O dono desta vinha representa Deus, e quando ele diz que faz o que quer do que é seu, está mostrando que tudo lhe pertence e tem o poder para fazer como melhor lhe apraz. Esta parábola nos mostra que devemos nos contentar com o que Deus tem nos dado e nos proporcionado. Se o dono da vinha não foi injusto com aqueles homens, Deus também não é injusto conosco. Os servos do Senhor muitas vezes se esquecem que eles têm um justo Juiz que está sempre julgando suas causas. Quando murmuramos ou nos queixamos estamos acusando nosso Juiz de injustiça. O apóstolo Pedro em sua primeira carta escreveu que devemos seguir os passos de Jesus, e que nosso Senhor entregava-se àquele que julga retamente (1Pe 2.23). Da mesma forma, devemos nos entregar ao nosso Deus, certos de que Ele está fazendo um julgamento justo em nossas vidas. Deus apenas tem feito o que quer do que é seu, e não deve nos fazer mal o fato de dEle fazer coisas boas para aqueles que estão ao nosso redor.
Devemos nos lembrar de que Deus tem tratado conosco. Ele disse que olharia para dentro dos nossos corações e nos trataria de acordo com o nosso procedimento, segundo o fruto de nossas ações (Jr 17.10). Portanto Deus está dizendo para nós: “Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque sou bom?”
3 Comentários para “Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu?”
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Meu seu blog é espetacular, show, not°10 desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom
Ass:Rodrigo
Prezado Pr Flank, parabéns pelo blog. De fato Deus é absolutamente justo e soberano em todos os seus atos. Diante do que acontece conosco só podemos dizer: De forma justa Senhor a ti aprouve fazer o que queres com o que é teu. A Ele seja a glória!
Ótimo texto, sempre bom vir aq.
Joelson Gomes
http://gracaplena.blogspot.com